Cidades
Ceal descarta pagamento de indeniza��o a favelados
O diretor de Engenharia da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Dânio Marsiglia, descartou qualquer possibilidade de a companhia pagar indenização para os moradores que moram da Favela da Torre. Ele confirmou que em novembro do ano passado foi procurado pelos dirigentes da Secretaria Municipal de Habitação, que propuseram uma parceria com a Ceal para fazer a transferência das famílias para outro local. Pela proposta apresentada seria paga uma indenização entre R$ 1, 5 mil e R$ 2 mil para as 46 famílias cadastradas. Segundo Dânio, a Ceal entende que não é responsabilidade dela indenizar as famílias, já que se trata de um espaço público urbano, portanto de responsabilidade da prefeitura. Ele admitiu que há um interesse da Ceal na desocupação da área, pois a presença das barracas dificulta o trabalho de manutenção da Torre. No ano passado, a Ceal firmou uma parceria com o município para retirada de 130 famílias que instalaram seus barracos numa área pertencente à Ceal, no Tabuleiro do Martins. Dânio explicou que nesse caso, a Ceal indenizou as famílias por se tratar de uma área de propriedade da companhia. Além dos moradores da Favela da Torres, mais de 1.300 famílias que vivem na Favela Sururu de Capote, também no Dique-Estrada, vivem a angústia de não saber para onde irão, quando for concluída a obra de reurbanização do Dique-Estrada. A obra está sendo executada em parceria pelo governo do Estado e a Prefeitura de Maceió e deve ficar pronta em dois anos. Por enquanto, o governo só garante a transferência de 350 famílias de pescadores para um conjunto residencial construído na Rua Cabo Reis. Sem recursos O conjunto está pronto desde outubro de 2001, mas sob alegação de que não havia recursos para a conclusão das obras de saneamento e iluminação, até hoje as casas nunca foram entregues aos seus legítimos donos. As placas colocadas em frente ao conjunto comprovam o atraso na entrega das obras, construído em parceria pela Prefeitura e a Petrobras, com recursos na ordem de R$ 1 milhão. No saneamento do conjunto foram utilizados mais R$ 1,1 milhão. Essa etapa da obra foi iniciada em 3 de fevereiro de 2003 e deveria ter sido concluída em 180 dias, ou seja, no dia 2 de agosto do mesmo ano. Mas está inconclusa. Na iluminação foram gastos R$ 88.914, que deveria ficar pronta em 60 dias. E também não o foi. Na semana passada algumas máquinas trabalham para concluir as obras do conjunto. Mas o aspecto é de abandono. Um terreno baldio na entrada do residencial, pela Rua Cabo Reis, está tomado por entulhos e restos de construção. O Lenita Vilela foi construído exclusivamente para as pessoas que sobrevivem diretamente da pesca. Agora, a prefeitura promete entregar o conjunto em no máximo 45 dias. O projeto, que promete mudar a paisagem de um dos maiores bolsões de pobreza de Maceió, está avaliado em R$ 10 milhões, que inclui a transferência dos moradores das favelas. Durante a semana passada, a reportagem da GAZETA tentou por duas vezes ouvir a Secretaria Municipal de Habitação sobre a previsão da entrega das casas do Conjunto Lenita Vilela e sobre o que será feito das famílias que moram no Dique Estrada com as obras de urbanização. Na terça-feira, a diretora de Ação Comunitária da Habitação, Cléo Alves afirmou que só o secretário Claudionor Araújo poderia responder sobre a questão. ?Ele ficou de nos receber no outro dia, mas cancelou a entrevista sob o argumento de que teria sido convocado às pressas para uma reunião de todo o secretariado com a prefeita Kátia Born?.