Cidades
Hospital tem fila para tratar c�ncer
FÁTIMA ALMEIDA Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam filas de espera para tratamento de câncer em Maceió. Nada de extraordinário dentro de uma realidade onde ainda existem lacunas enormes no atendimento às demandas de saúde pública. A gravidade do problema está no fato de que essa fila significa o desperdício de até dois meses na vida de quem não tem tempo a perder. O combate ao câncer e as chances de sobrevivência estão na urgência com que o tratamento é iniciado. O motivo da espera, de acordo com o oncologista Marcos Davi, da Santa Casa de Misericórdia, é a limitação das AIHs (guias de internamento hospitalar autorizadas pelo SUS). ?Por mais que se priorize, a quantidade é muito inferior à demanda?, diz ele. Para dar uma idéia do drama, o médico afirma que existe uma fila de pelo menos 100 pessoas portadoras de algum tipo de câncer, aguardando para fazer cirurgia no hospital. Na quimioterapia, a fila de espera chega a ser de dois a três meses, o que, para muitos pacientes, significa perder as chances de cura. ?Aqui não chegam pessoas angustiadas. Chegam desesperadas por saberem que suas chances de tratamento estão se perdendo no tempo de espera?, diz ele. A Santa Casa de Misericórdia é um dos quatro hospitais de Maceió que têm equipamentos de quimioterapia. A média de atendimento por mês, segundo Marcos Davi, é de 200 pacientes. Teto O médico informou que durante algum tempo o hospital ultrapassou em média de 30 a 40 mil reais por mês o teto estabelecido pela Secretaria Municipal de Saúde para quimioterapia e em mais de R$ 50 mil em radioterapia, solicitando, posteriormente, a auditoria para o devido pagamento, até que houve uma determinação, na gestão anterior, para restringir o atendimento ao teto. Na radioterapia, o hospital é o único do Estado, e conta com equipamentos avançados. A situação é delicada, segundo Marcos Davi, mas ele assegura que não há lista de espera. A média de atendimento é de 140 pacientes por dia. ?A direção e a provedoria do hospital estão empenhados em atender, mas é preciso que haja o financiamento pelo poder público. Somos um hospital filantrópico, mas não temos subsídio. Temos que pagar funcionários, médicos, equipamentos e fornecedores, do que recebemos pelos serviços prestados?, reforça ele.