Cidades
Alagoas pode ganhar este ano duas UTIs pedi�tricas
FÁBIA ASSUMPÇÃO Até o final do ano, a Secretaria Executiva de Saúde (Sesau) quer colocar em funcionamento as UTIs Pediátricas da Unidade de Emergência Armando Lages e do Hospital José Carneiro, no total de 10 leitos. A informação foi transmitida, ontem, pelo coordenador de Controle, Avaliação e Auditoria da Sesau, Deraldo Lima, durante a primeira reunião do ano do Comitê Estadual de Combate à Mortalidade Infantil, realizada no prédio da Procuradoria Geral de Justiça. Hoje, em Alagoas, nenhum hospital público dispõe de uma UTI Pediátrica. No total, existem apenas 15 leitos de UTIs Pediátricas em hospitais conveniados ao SUS; nove na Santa Casa de Misericórdia e seis no Hospital Chama de Arapiraca. A superlotação nas UTIs Neonatal e a ausência de leitos em UTIs Pediátricas nos hospitais da rede pública do Estado foram o principal tema discutido na reunião do Comitê Estadual de Combate à Mortalidade Infantil. A questão chamou ainda mais atenção depois da morte de sete recém-nascidos, nos primeiros nove dias do mês, na UTI Neonatal do Hospital Universitário (HU). Apesar do aumento no número de leitos após a reforma da Maternidade Santa Mônica, e também no HU, os membros do Comitê reconhecem que ainda é insuficiente para atender à demanda. Deraldo Lima explicou que, hoje, nos hospitais públicos e conveniados ao SUS, existem 31 leitos de UTI Neonatal. Mas apenas 29 estão em funcionamento, depois que a maternidade do Hospital do Açúcar deixou de atender pelo SUS. Na rede não-conveniada ao SUS, são apenas 14 leitos. Segundo o obstetra, o número ideal, hoje, seria de pelo menos 57 leitos em UTI Neonatal. Hoje, essas UTIs têm um índice de 78,95% de cobertura no Estado. Enquanto no SUS a cobertura é de 63,16%. Depois de uma reforma concluída há mais de dois anos, a Maternidade Santa Mônica passou a contar com uma UTI Neonatal com oito leitos e mais 24 no berçário intermediário. No Hospital Universitário são 10 leitos e mais oito no Hospital Regional de Palmeira dos Índios. Porém, a situação é pior quando se fala em UTI Pediátrica, que não existe em nenhum hospital da rede pública. No HU, os médicos estão sendo obrigados a improvisar UTIs nas enfermarias, para atendimento de crianças que precisam de tratamento intensivo. A diretora da Maternidade Santa Mônica, Laura Dantas, avalia que o problema da falta de leitos nas UTIs Neonatal não é problema exclusivo do Estado de Alagoas, mas vem ocorrendo em todo o País. Ela espera que esse quadro mude com um Pacto Nacional para Redução da Mortalidade Materno-Infantil, que será lançado pelo governo federal em março. Para Laura Dantas, apesar de todas as dificuldades, a situação seria bem pior se a Maternidade Santa Mônica e o HU não estivessem garantindo o atendimento dos recém-nascidos de alto risco. O promotor Ubirajara Ramos, do Núcleo da Infância e da Adolescência do 1º Centro Operacional do Ministério Público, destacou que houve avanços em relação ao número de leitos em UTI Neonatal no Estado, graças às intervenções do Ministério Público. Ele acrescentou que o Ministério Público vai desenvolver o mesmo procedimento para a instalação de UTIs Pediátricas nos hospitais públicos.