Cidades
Greve amea�a abastecimento de combust�vel
DORGIVAL JÚNIOR Os servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) rejeitaram a proposta apresentada pelo governo federal para encerrar a greve e decidiram manter a paralisação. A categoria alerta, no entanto, que se as negociações não avançarem os alagoanos correm o risco de sofrer desabastecimento de combustível. Assim como outros estados que não possuem refinaria de petróleo, o maior volume de combustível que chega a Alagoas é transportado em navios. A decisão pela manutenção da greve foi tomada durante uma assembléia extraordinária, realizada ontem à tarde, em Maceió. Segundo a direção do Porto de Maceió, a greve dos servidores da Anvisa ainda não causou prejuízos. Após a assembléia da categoria, que ocorreu na própria área do porto, os grevistas decidiram entrar em assembléia permanente, com o intuito de analisar as propostas que serão apresentadas pelo governo federal e que podem levar ao fim da paralisação. ?O governo está sofrendo pressão por parte de empresas privadas e estatais para acabar com a paralisação. Por isso, a categoria vai ficar de plantão para analisar as propostas apresentadas?, disse Célio dos Santos, diretor do Sindicato dos Previdenciários (Sindprev) de Alagoas e funcionário da Anvisa, acrescentando que a greve, que foi deflagrada no último dia 17, começa a causar congestionamento de embarcações na área próxima ao porto. Proposta Segundo informou o diretor do Sindprev, a proposta apresentada, ontem, pelo governo, determinava a devolução de servidores aos órgãos de origem, com a agência ficando apenas com os redistribuídos, além de propor o pagamento de salários diferenciados para servidores com a mesma função. ?Nós queremos todos os servidores, cedidos e redistribuídos, na carreira, já que todos fazem parte da agência desde que ela foi criada. Com o concurso público que o governo pretende realizar, quem entrar ganharia mais do que os servidores que já fazem parte da casa, havendo diferença de salários entre servidores que exerceriam a mesma função?, frisou o líder sindical. Ele acrescentou, ainda, que três embarcações encontram-se operando no porto, tendo recebido o Livre Prática antes da deflagração da greve. ?Com a saída destas embarcações que já têm o documento liberado, nenhum navio poderá atracar no porto. As atividades portuárias também vão parar?, disse o líder sindical. De acordo com ele, das empresas que atuam no porto, em apenas uma delas três embarcações já estão à espera da fiscalização dos técnicos da Anvisa para que possam receber o Livre Prática e atracar. ?A liberação do documento é dada via rádio, quando a embarcação vem de portos onde não há riscos sanitários, e a segunda via bordo, quando os técnicos da Anvisa vão até o navio fazer o trabalho de fiscalização?, disse Célio dos Santos. A maioria das embarcações que chega a Maceió é destinada ao carregamento de açúcar e álcool. Dos navios que esperam carregamento, apenas um tem fertilizantes para descarregar no porto. O líder sindical esclareceu, ainda, que se a greve perdurar por mais tempo existe o risco de desabastecimento de combustível. ?Se chegarmos a atingir um ponto crítico, vamos nos reunir e analisar quais as ações que poderão ser desenvolvidas. Não queremos prejudicar a população?, frisou Célio dos Santos, acrescentando que a agência em Maceió conta com o contingente de 32 servidores que atuam no porto e aeroporto. Ações Os grevistas reivindicam do governo federal a inclusão dos atuais servidores da agência na carreira; reposição salarial ? onde foi registrada, segundo a categoria, perdas desde o governo FHC (Fernando Henrique Cardoso) superiores a 100%; terceirização e melhores condições de trabalho. O Sindicato dos Operadores Portuários entrou com um pedido de liminar na Justiça solicitando a suspensão da greve para que os serviços no Porto de Maceió não sejam penalizados.