Cidades
Rei Momo de papel�o e outras recorda��es
Em 1933, segundo o pesquisador Miguel Vassalo, ex-diretor do Museu da Imagem e do Som (Misa), um boneco de papelão foi o primeiro Rei Momo em Maceió. Mas foi Setton Neto quem permaneceu à frente do ?império da folia? da capital alagoana por várias décadas. Quando os carnavais ainda aconteciam, principalmente na Rua do Comércio, e depois. Também no coração da cidade realizavam-se os tradicionais corsos, anteriormente concentrados na Praça dos Martírios ? definidos por Luís Veras como ?desfiles de automóveis ornamentados com capota aberta, o lança-perfume inebriante e as batalhas de confetes e serpentinas?. Muitos concursos de frevos e outros eventos carnavalescos foram realizados no Teatro Deodoro. As comissões organizadoras dos carnavais, que eram promovidos por grupos da elite e por pessoas simples, costumavam fazer suas reuniões nas redações do Jornal de Alagoas e da GAZETA. Principalmente desta última. Motivado com o sucesso do carnaval de 34, - até então o de maior sucesso no Estado e para o qual deve ter contribuído o lançamento, neste mesmo ano, da marcha-frevo Sururu da Nega, com música de Aristóbolo Cardoso e letra de Pedro Nunes, cantada pela primeira vez no Teatro Deodoro, por uma integrante da Companhia Argentina de Espetáculos Típicos, este jornal promovia, no ano seguinte, concursos para a escolha da melhor marcha, do melhor bloco e do clube de rua mais animado. Era a primeira vez que se promovia esses certames no território alagoano. Na relação dos concorrentes, destacavam-se os blocos Vou Botar Fora, com uma orquestra de cerca de 40 músicos; Onze Mil Virgens, Tá Vendo Eu? Depois da Chuva, Esfrega Antonio, Mamãe Quero Toddy; e os clubes, Cavalheiros do Monte, já várias vezes campeão; Pás Douradas, o dos Marítimos e Trocistas de Bebedouro. ?Todos capazes de fazer virar bagaço toda uma população?. Outras atrações Na década de 50, surgiram as primeiras escolas de samba em Maceió, nesta ordem, de acordo com levantamento feito pelo pesquisador Luiz Gonzaga Barroso Filho, da Comissão Alagoana de Folclore: Cinédia, no bairro da Levada, em 1952; Circulista, em Ponta Grossa, no ano de 1952 e Unidos do Poço, em 1955. Também a Império Serrano foi uma das pioneiras. Das 16 escolas de samba fundadas até agora em Maceió, incluindo as que tiveram vida curta, a maioria participou de desfiles a partir dos anos 70. Ainda nos anos 70, várias dessas agremiações se apresentavam na Rua do Comércio, e os banhos à fantasia, concorridíssimos, eram realizados na Praia da Avenida. Isso, antes de os carnavais de Maceió começarem a perder o brilho, com a decisão da prefeitura de transferir as apresentações das escolas de samba e blocos para a região das praias. Apenas saudades As maiores atrações carnavalescas, que acabamos de mencionar, fazem parte do passado. Repleto de manifestações populares. De personagens que jamais seriam esquecidas como Benedito dos Santos, o popular Rás Gonguila com o célebre Cavaleiros do Monte; o jornaleiro e engraxate Armando Veríssimo Ribeiro, celebrizado como Moleque Namorador e maior passista alagoano - e Pedro Tarzan. Das marchinhas como Sururu da Negra. Das legítimas tradições populares que ainda não citamos e que garantiram os melhores carnavais de rua dos alagoanos, a exemplo dos blocos Nega Juju, Os Ciscadores, Bacuraus, Filhos da Montanha, Maroins, etc. Blocos esses que, se ainda sobrevivessem teriam, segundo Veras, mais figurantes que as nossas escolas de samba. Sem esquecer outras iniciativas populares, outros blocos, como o Vareta de Aço, Bomba Atômica, Sai da Frente. Além do Vulcão, formado por integrantes da Polícia Militar e ainda sobrevivente. Principalmente, a figura do jornalista Bonifácio Magalhães da Silveira, mais conhecido como Major Bonifácio, um dos maiores idealizadores dos inesquecíveis carnavais das décadas de 20 a 40 do século passado. O célebre proclamador da ?República da Alegria?, em Bebedouro, que promovia ali os melhores natais da cidade que emendavam com as festividades carnavalescas. Outros grupos, outras associações. E inúmeras pessoas simples que fizeram os melhores carnavais alagoanos, como José Teófanes da Silva, o ?Zé Delegado?, que ficou na história com o bloco ?Amigo da Onça?.