Cidades
Mais quatro crian�as morrem na UTI do HU
FÁTIMA ALMEIDA Mais quatro crianças morreram, esta semana, na UTI Neonatal do Hospital Universitário. Além da superlotação, que aumenta naturalmente as estatísticas de morte, o diretor do hospital, João Macário, aponta como fator determinante a situação em que as crianças nasceram ou chegaram ao HU. ?A gente tenta ao máximo preservar a vida, mas há casos em que é impossível evitar o óbito, porque recebemos muitos pacientes de alto risco?, destaca ele. Segundo o relatório apresentado por Macário, a primeira morte da semana aconteceu no domingo, dia 22. Um bebê nascido há 10 dias, de parto cesariano, com 2,25kg, portador de má-formação congênita (nanismo) e com sérias deformações no tórax, segundo ele, a criança não tinha mesmo condições de sobrevivência. No dia 26 faleceram duas crianças, uma nascida no dia 17 de fevereiro, com 950g (prematurismo extremo), e outra prematura, nascida no dia 23, com 1,6 kg. Ontem, a maternidade recebeu dois gêmeos nascidos em Joaquim Gomes, também prematuros. O primeiro, com 1,5kg, morreu ontem mesmo. O outro continuava na UTI, em estado grave. ?Esses óbitos passam, necessariamente, pela situação de risco dos bebês. Alguns nascem com má-formação, outros são trazidos do interior em situação crítica. Às vezes o motorista da ambulância é o único acompanhante. É claro que a superlotação contribui. Quando se colocam 19 bebês onde só cabem 10, os riscos aumentam, porque o atendimento não é o mesmo, e as estatísticas também são maiores?, esclarece João Macário. Reforma Na próxima semana, a maternidade do HU fechará para novas pacientes durante pelo menos cinco dias. De acordo com o diretor do HU, João Macário, é preciso corrigir, urgentemente, falhas na estrutura física do prédio, entre elas infiltrações na UTI Neonatal, agravadas com as chuvas que caíram há algumas semanas em Maceió. Exceto os casos de curetagem, gestante em período expulsivo ou com risco de morte, os casos obstétricos deverão ser encaminhados para outras maternidades. A decisão já foi comunicada às Secretarias de Saúde do Estado e do município de Maceió. Segundo Macário, além dos problemas na estrutura física, que inclusive foram notificados pela Vigilância Sanitária, há também a superlotação de bebês internados na UTI Neonatal do hospital. Na entrada do prédio, uma placa dá o aviso: ?Maternidade e UTI Neonatal lotadas?. Numa situação de superlotação, segundo Macário, o hospital é penalizado duplamente: primeiro porque aumentam os riscos, depois, porque tem que arcar com os custos do que excede ao teto financeiro estabelecido pelo SUS. O diretor informou que na última quinta-feira a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, que tem capacidade para 10 recém-nascidos, chegou a uma superlotação de 19 bebês. Na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI), tinha 14 bebês onde só deveriam estar 12. Os números baixaram ontem, mas mesmo assim ficaram acima do limite, com 14 bebês na UTI e 13 na UCI. Para as reformas necessárias, as crianças que se encontram na UCI serão remanejadas para as enfermarias, junto das mães, dando lugar às instalações provisórias da UTI e aos bebês que estão em tratamento intensivo, enquanto o espaço da UTI passa por reformas. As gestantes que não forem atendidas na maternidade do Hospital Universitário devem ser encaminhadas para a Maternidade Santa Mônica, que também é referência para assistência a pacientes de alto risco, e para a maternidade do Hospital da Mulher (antiga Paulo Neto), no Centro.