loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Eles comemoram anivers�rio de quatro em quatro anos

Ouvir
Compartilhar

FÁTIMA ALMEIDA Hoje é um dia especial na vida do estudante de Administração e supervisor de Distribuição Helson Moreira de Oliveira e da enfermeira Rosa Maria Salgueiro. Ele, nascido em 1964, vai reunir os amigos para comemorar seu aniversário pela 10ª vez. Ela, nascida em 1956, brinca, dizendo que vai comemorar 12 anos ao lado da filha, de 17. Os dois nasceram no dia 29 de fevereiro, data que só existe no calendário de quatro em quatro anos, no chamado ano bissexto. A coincidência, hoje, é tirada de letra. Mas nem sempre foi assim. Nos tempos de criança renderam muitas frustrações, que agora, na idade adulta, eles procuram compensar reforçando a festa de aniversário. ?Afinal, é só de quatro em quatro anos?, destaca Helson Moreira. Esse intervalo incomodou Rosa Salgueiro por muito tempo, quando via chegar o aniversário de irmãos e coleguinhas todos os anos sem chegar a sua vez. Quando o dia 29 aparecia no calendário, Rosa chegava a adoecer de emoção no dia do aniversário. Helson também não conseguia esconder a frustração quando via que seus irmãos ganhavam festa todos os anos. Na escola, o aniversário dos colegas sempre era lembrado, mas o dele passava despercebido. ?Às vezes, quando alguma professora ficava sabendo, explicava para a turma, falava sobre o ano bissexto?, diz ele. Rosa não se conformava com a sua ?sorte?. ?Eu chorava todos os anos e perguntava a minha mãe por que ela não me registrou no dia 28. Ela chegou a se arrepender de não ter feito isso?, confessa a enfermeira. A idéia de registrar outra data como o dia de nascimento não abordou apenas a cabeça infantil de Rosa Salgueiro. Ela garante que muita gente acabou adotando essa estratégia para evitar constrangimentos para os filhos. Entre familiares e amigos dos pais de Helson, não faltaram conselhos para isso. Até a escrivã do cartório opinou a favor da mudança de data no registro, mas a mãe resistiu e registrou mesmo o dia 29 de fevereiro. Hoje eles nem lamentam mais. ?Na falta do dia 29, a gente comemora no dia 28 e no dia 1º?, diz Rosa. A ausência de festa de aniversário não foi a única peculiaridade na vida dos ?filhos?, do ano bissexto. Aos 18 anos, quando foi tirar o título de eleitor, Helson teve os dados recusados pelo sistema, porque só foram calculados os dias 29 de fevereiro que transcorreram desde o seu nascimento. ?O título voltou, eles disseram que eu só tinha quatro anos. Tive que ir lá, explicar, e finalmente foi feita a correção?. Rosa teve um problema quase idêntico com sua conta bancária. Quando foi registrar a data do nascimento o computador recusou. Mas o que os dois não gostavam, mesmo, era das brincadeiras de mau gosto que escutavam quando crianças. ?Muita gente dizia que era mentira, que 29 de fevereiro não existe?, diz Helson. ?As pessoas diziam que quem nasceu no dia 29 de fevereiro iria virar monstro e matar a própria mãe?, lembra Rosa. Sorte dela que teve um avô que trabalhou como recenseador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e conhecia muitas histórias de pessoas que nasceram no dia 29 de fevereiro, e comentava em casa como isso acontecia. Embora tenha nascido no ano em que ele morreu, Rosa ouviu muitas dessas histórias entre as explicações de sua mãe sobre o ano bissexto. Hoje eles são convidados a participar de gincanas de colégios, e vão com alegria. ?É sempre bom poder explicar, participar?, diz Rosa Salgueiro. Helson, com bom humor, diz que o problema, agora, está na filha, que não aceita a idéia de que o pai vai comemorar os mesmos 10 anos que ela.

Relacionadas