Cidades
Promotor quer PM de elitena prote��o de autoridades
GILVAN FERREIRA O promotor Luiz Vasconcelos, uma das autoridades envolvidas na desarticulação da gangue fardada que corre o risco de perder a segurança do Estado, vai sugerir ao governador Ronaldo Lessa (PSB) a criação de um grupamento da Polícia Militar para garantir a segurança de autoridades públicas (governadores, juízes, promotores) ameaçadas de morte. Segundo o promotor, que participou ativamente das investigações da gangue fardada, ele espera há mais de 30 dias uma resposta ao seu pedido de audiência com o governador Ronaldo Lessa, onde pretende pedir uma solução para evitar que os policiais militares deixem a sua segurança e das outras quatro autoridades envolvidas diretamente na desarticulação da gangue fardada: o ex-governador Manoel Gomes de Barros, o ex-comandante da PM, Ailton Pimentel, os juízes Helder Loureiro e Jerônimo Roberto dos Santos. Eles têm sofrido com as constantes ?baixas? de PMs que, para não perderem as gratificações, estão voltando para os quartéis da Polícia Militar. Os policiais alegam que com os cortes das gratificações, determinados pelo comando da PM, estão perdendo até 20% dos seus soldos. Um sargento, que trabalha na segurança dessas autoridades, com os cortes passa a receber R$ 876, o mesmo militar com a mesma patente recebe no Bope ou no Batalhão de Cavalaria, R$ 1.320. É com esse argumento que os militares têm se baseado para pedir a saída da segurança das autoridades. Eles reclamam que também sofrem com a discriminação nas promoções e entre os próprios colegas de farda, pois são considerados ?vagabundos?. ?É necessário que essa situação seja regulamentada. A minha sugestão, que vou levar ao governador, é que seja criada uma unidade da Polícia Militar especializada em segurança de dignitários. É necessário que esse pessoal seja bem treinado, receba uma remuneração condigna com o seu trabalho. Eu já encaminhei um ofício ao governador mostrando a atual situação dos militares que fazem a nossa segurança, estou aguardando a confirmação de uma audiência onde faremos uma explanação sobre a proposta para a criação desse grupamento da Polícia Militar?, confirmou Vasconcelos. Indignação O juiz Hélder Loureiro disse que não aceita o argumento de que as medidas de segurança para as autoridades envolvidas na desarticulação da gangue fardada, que estão ameaçadas de morte, não estejam sendo implantadas por falta de recursos financeiros e cobrou do Estado a garantia da sua vida e da família dele. Ele lembrou que em outros Estados, juízes foram mortos por participarem do combate ao crime organizado. Loureiro disse que mesmo com o risco de perder a segurança do estado, não vai se intimidar com ameaças do crime organizado e vai continuar mantendo a mesma postura de independência e de Justiça. ?O crime organizado sabe avaliar a importância dos alvos a atingir. É como se estivesse promovendo a execução do Judiciário livre e independente. Todos nós devemos combater frontalmente o banditismo, o crime organizado. Mesmo vivendo - há cinco anos ? sob as ameaças do crime organizado vou continuar com a mesma postura de independência e de busca da Justiça. Reconheço que é uma situação difícil, tomo todos os cuidados lá fora, mas, às vezes, o perigo pode entrar em sua sala. Procuro não me expor. Procuro não parar em sinais de trânsito e nunca saio de madrugada. Isso já faz parte até da vida da minha família?, desabafou Hélder Loureiro. O comandante da Polícia Militar, Edmilson Cavalcante, utilizou, ontem, um programa de rádio local para esclarecer o afastamento dos policiais militares da segurança das autoridades envolvidas na desarticulação da gangue fardada. Edmilson Cavalcante chegou a tentar negar os fatos citados pelas autoridades, que reforçaram as informações repassadas à equipe do jornal GAZETA DE ALAGOAS.