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Ufal participa na identifica��o de guerrilheiros

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BLEINE OLIVEIRA O diretor do Laboratório de DNA Forense da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), médico-legista e professor Luiz Antônio Ferreira Silva, embarca esta semana para Brasília, onde se junta ao grupo de especialistas que vai iniciar o trabalho de localização e exumação dos corpos de quatro brasileiros que participaram da Guerrilha do Araguaia. Os guerrilheiros teriam sido assassinados e enterrados num acampamento militar na localidade Xambioá, no sul do Pará (PA). De Brasília, o grupo de trabalho criado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos segue para a região onde, conforme relato de soldados do Exército Brasileiro, que mantinha uma companhia na área, pelo menos quatro guerrilheiros foram assassinados e sepultados. O local está isolado até a chegada dos especialista. Além do professor Luiz Antônio, o grupo é formado por um geólogo brasileiro, três profissionais da Equipo Argentina de Antropologia Forense e representantes do Ministério Público Federal. A tarefa do professor Luiz Antônio é ajudar na identificação dos corpos. O Laboratório de DNA Forense da universidade alagoana já é referência nacional na identificação de pessoas, sendo inclusive um dos cinco escolhidos pelo Ministério da Justiça para compor a rede brasileira de laboratórios com especialidade em DNA. ?Se os corpos forem localizados vamos trabalhar para identificá-los. É importante que estejamos presentes desde o primeiro momento, ajudando na coleta adequada do material?- disse o legista da Ufal. Interdisciplinar Ele acredita que, logo que receber autorização da Secretaria Nacional de Direitos Humanos para trazer o material coletado para o laboratório em Maceió, em cerca de três meses será possível apresentar o relatório sobre as análises realizadas. ?O trabalho será interdisciplinar mas ancorado na análise do DNA, o que nos favorece. Somos um dos melhores laboratórios no trabalho com material antigo?- afirma Luiz Antônio, lembrando que sua equipe, além do esforço para identificar as ossadas humanas descobertas em cemitérios clandestinos, foi responsável pela identificação dos corpos do professor Paulo Bandeira e de dois comerciantes de jóias, encontrados totalmente carbonizados. Por volta de 1966, militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) se instalaram na região do Araguaia, dispostos a criar uma área autônoma para resistir ao regime imposto ao País com o golpe militar de 1964. A partir de 1972, o governo militar passou a investir na localização da guerrilha. A maioria dos militantes foi presa e assassinada pelo Exército. Soldados localizados pela revista Época, segundo reportagem publicada na edição desta semana, mostraram a área onde pelo menos quatro daqueles guerrilheiros foram mortos e enterrados. ?É um momento histórico. Vamos estar colocando luz sobre um passado que até agora permaneceu obscuro?- disse o professor Luiz Antônio Ferreira, satisfeito em poder contribuir com a identificação de brasileiros que sofreram e perderam a vida na luta para reestabelecer a democracia no País. Do mesmo modo o ouvidor-geral da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, advogado Pedro Montenegro, destacou a importância histórica do episódio, e o compromisso ético e político do governo de identificar os restos mortais dos desaparecidos políticos. Mas também considerou importante destacar a participação de Alagoas nesse processo ? com a indicação do Laboratório da Ufal ? pois com isso o Estado volta ao cenário nacional, só que de forma positiva.

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