Cidades
DRT ganha parceiros para combater trabalho escravo
Inúmeros alagoanos continuam sendo vítimas dos ?gatos?, empreiteiros que arregimentam trabalhadores para atuar clandestinamente em outros Estados. O próprio delegado regional do Trabalho, advogado Ricardo Coelho, admite que as últimas denúncias sobre transporte ilegal e trabalho escravo não reduziram a ação desses arregimentadores, que estão voltando a agir em Alagoas. No último domingo, por exemplo, fiscais da DRT/Alagoas conseguiram impedir que cinco ônibus saíssem do município de Ibateguara levando trabalhadores. ?Fomos ao município investigar, mas não temos garantia de que, na madrugada, após a nossa saída, os ônibus não tenham seguido viagem?, disse o delegado. Diante do crescimento dos casos de transporte ilegal, a Delegacia Regional do Trabalho decidiu formalizar parceria com a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Federação de Trabalhadores da Agricultura, Procuradoria Regional do Trabalho e empresários da agricultura para combater esse crime. A questão será discutida amanhã, a partir das 9h, na sede da DRT. Na reunião, o delegado Ricardo Coelho vai apresentar um termo de Compromisso onde cada um dos órgãos envolvidos com o problema assume a responsabilidade de agir de acordo com sua atribuição. ?Estamos diante de uma situação grave que precisa ser combatida?, argumenta Coelho. O número de casos de transporte ilegal de trabalhadores aumenta sempre nos meses de março e abril quando o setor sucroalcooleiro entra no período de entressafra. Desde o ano passado a DRT tem investido na fiscalização para eliminar essa irregularidade. O delegado do Trabalho reconhece que o problema é social, ou seja, os trabalhadores aceitam viajar clandestinamente sob a promessa de um emprego sem garantias trabalhistas, por não terem outras opções de sobrevivência. Para minimizar o drama enfrentado todos os anos por milhares de trabalhadores, a DRT propõe que as usinas permitam a prática de culturas alternativas, como feijão, mandioca, melancia e outras, no período de entressafra. A proposta foi lançada ano passado e das usinas alagoanas apenas a Seresta assumiu o projeto. ?Temos informações de que os resultados foram positivos. Esperamos que os empresários da Seresta façam o mesmo este ano e que a idéia seja absorvida por outros industriais?, declara Ricardo Coelho. Outra decisão da DRT é fiscalizar o transporte de trabalhadores entre as usinas alagoanas. O trabalho da DRT foi iniciado em 2003 e, segundo o delegado, também já apresenta resultados positivos. A quase totalidade das usinas, garante ele, estão fazendo o transporte em ônibus, o que garante a segurança dos empregados. Entretanto, entre os plantadores de cana o transporte irregular continua. Mas a fiscalização será intensificada para que todos cumpram as normas de segurança no trabalho. ?Vamos fiscalizar também empresas que recuperam estradas, que têm transportado seus trabalhadores em caçambas. Isso é ilegal?.