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Slum vai negociar com maceioense o local do lix�o

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GILVAN FERREIRA FELIPE FARIAS A superintendente da Slum, Rosa Tenório, garantiu que vai negociar com a população de Maceió o local que vai receber o aterro sanitário da cidade, que, segundo sugestão dos técnicos da Universidade Federal de Alagoas e da própria Slum, deve ser implantado em uma área de expansão urbana entre Guaxuma e Garça Torta. Rosa Tenório disse que a sugestão dos técnicos ainda vai ser avaliada em discussões com entidades como o Crea, Câmara Municipal de Maceió, organizações não-governamentais (ONGs) e civis e representantes da sociedade. Ela garantiu que o aterro sanitário pode ser implantado em outras áreas estudadas pelos técnicos, entre elas, uma área de 173 hectares no Pólo Cloroquímico, em Marechal Deodoro, uma de 71 hectares na Cachoeira do Meirim, próximo ao Benedito Bentes. ?Nós vamos socializar essa discussão. Apesar da opinião dos técnicos sobre a implantação do aterro sanitário em uma área de Guaxuma, a decisão final cabe à população de Maceió. Nós vamos realizar várias audiências públicas até termos uma posição da população sobre o local ideal para receber o aterro sanitário?, garantiu. A superintendente da Slum disse que também vai incluir, nessa discussão, a questão da reciclagem do lixo, a destinação e o tratamento, a situação das famílias de catadores de lixo do lixão de Mangabeiras, que serão retiradas do local, e a recuperação de áreas degradadas. Para o mercado imobiliário, a proposta de instalar o aterro sanitário em um sítio entre Guaxuma e Garça Torta é vista com apreensão e temor. ?A gente não pode nem dizer que é uma bomba porque, depois de uma explosão, você ainda pode construir. Isso é pior?, avalia o corretor André Vieira de Paula, que trabalha exclusivamente com imóveis dessa área. O litoral norte é hoje considerada a região mais valorizada do mercado imobiliário de Maceió e meta de expansão de milionários investimentos do setor. ?É como um maratonista dar um tiro no pé?, resume por fim, visivelmente surpreso e apreensivo com o anúncio. Ele relaciona pelo menos cinco razões pelas quais o segmento se encontra tão resistente à proposta. As principais são os planos de construção já em andamento para aquele trecho do litoral. Uma construtora já investiu R$ 2,5 milhões para aquisição de um terreno em que vai instalar um condomínio fechado e gastará mais R$ 15 milhões para instalação das obras de infra-estrutura, como pavimentação, redes de abastecimento e acessos. Um grupo hoteleiro local tem planos de construir um dos maiores resorts do Nordeste no terreno que abrigou um festival de música em Jacarecica. A mudança no plano diretor, autorizando a construção de prédios com maior número de andares a partir de certo ponto do litoral, anima os construtores a captar mais recursos para investimentos na região. Atualmente, o metro quadrado no local está avaliado, em média, em R$ 80,00, mas poderá chegar a R$ 200,00 quando os primeiros investimentos se consumarem. O corretor lembra a contradição presente na proposta de instalar um aterro sanitário (mas, que ele acha que acabará se convertendo num depósito a céu aberto) ?a 500m do mar? numa cidade turística. ?A cidade tem sua vocação voltada para o turismo, está fazendo grande investimentos nessa área, como o centro de convenções e o aeroporto. Essa proposta em relação ao aterro vai na contramão dessa tendência?, denuncia. Ele diz ter presenciado, na última sexta-feira, o primeiro indício do tipo de comportamento que investidores e turistas vão adotar, caso a proposta vá adiante: ?Eu estava fechando negócio com um grupo de italianos interessados em adquirir um imóvel lá. Veja bem, não é próximo. Mas, quando ele soube dessa possibilidade, desfez a transação. Essa proposta (de instalar o aterro na região) é o mesmo que pegar os investidores que começam a chegar, colocar de volta no avião e dizer para eles: ?vá embora e não volte mais?. Acho que não precisa nem haver audiência pública?, protesta o corretor. Informado pela reportagem da GAZETA DE ALAGOAS sobre a proposta, André Vieira calculou a distância da estrutura que receberá o lixo produzido por Maceió dos pontos onde há propostas de investimentos na região e concluiu que alguns dos mais significativos ficam a pouco mais de 1,5km do futuro aterro. ?Você investiria R$ 1,5 milhão numa casa a essa distância do lixão??, questiona. Para ele, a proposta representa um considerável choque na disposição de investimentos na região. ?É decretar para um lugar com tamanho o mesmo destino que tiveram as praias da Avenida e do Sobral. Quem hoje quer investir ali??, conclui.

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