loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Maceioense pode n�o ter sururu na Semana Santa

Ouvir
Compartilhar

BLEINE OLIVEIRA O sururu, conhecido molusco da cozinha alagoana, é um dos pratos consumidos no período da Semana Santa, quando a população reduz o consumo de carnes, principalmente as vermelhas. Pela tradição religiosa, há aqueles que se abstêm totalmente da carne, seja de boi, frango e outros, consumindo unicamente peixes e crustáceos, o que provoca considerável aumento na procura por esses produtos. Mas há uma preocupação dos vendedores de sururu em relação à oferta do produto este ano. Como choveu muito em todo estado no início do mês passado, diminuindo a oxigenação nas lagoas, eles temem que o produto falte na Semana Santa, talvez já a partir do início de abril. A explicação dos sururuzeiros, aí incluídos os pescadores, catadores e cozinheiras, é que com as chuvas entrou muita água doce na Lagoa Mundaú, de onde vem a maior parte do produto consumido em Maceió, diminuindo o volume pescado diariamente. ?Já começamos a sentir que o sururu não está bom?, diz José Cícero Henrique de Melo, de 43 anos, 32 deles dedicados à pesca do molusco. Isso significa que a quantidade e o tamanho do molusco estão menores. Os pescadores, aqueles que mergulham para tirar o sururu, dizem que estão tirando muita casca, ou seja, o molusco não está se reproduzindo justamente pelo pouco oxigênio na lagoa. ?A água tem que ter uma parte de água doce e uma parte de água salgada que vem do mar. Como choveu muito, a quantidade de água doce está maior?, explica Cícero Silva, pescador de 43 anos. Ele diz que nasceu e se criou na lagoa, por isso avalia que a produção deve diminuir até que a água volte a ter sua oxigenação normalizada. A possibilidade de o sururu não estar acessível na mesa da população na Semana Santa é explicada pelos pescadores da seguinte forma: como a produção está menor, o crescimento da procura pelo molusco vai resultar no ?sumiço? do alimento. ?Estamos vendendo pouco, mas quando chegar na segunda quinzena desse mês e começo do outro, o que vai ter de gente comprando sururu...?, prevê José Cícero Henrique. Cozinheira há cerca de 30 anos, a dona de casa Anair Cícera Salvino vai todos os dias ao cais do sururu, no Dique Estrada, onde compra em média 15 latas do produto para revender depenicado. Na avaliação dela, cerca de 2 mil pessoas vivem dessa atividade, que lhe rende entre R$ 10 e R$ 30 por dia. Para ela, é possível que haja uma diminuição da oferta na Semana Santa, mas os pescadores e cozinheiras esperam que até lá a situação se normalize. Consumido praticamente o ano inteiro, o sururu é fonte de proteínas, lipídios, cálcio, fósforo e ferro. Sua mais tradicional forma de preparo é o sururu de capote, servido na casca depois de lavado e cozido com seu próprio caldo. Outras variações são o sururu ensopado e a fritada de sururu.

Relacionadas