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Meninas enfrentam duro exerc�cio da maternidade

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Aos 14 anos, cursando o 1º ano do Ensino Fundamental, Lígia, assim como Elenice, resolveu assumir a sua vida sexual. Envolvida por um homem bem mais velho, 39, com a experiência de um casamento e uma família da qual ele jurava estar separado, ela trocou os sonhos de construir uma carreira embasada em um curso universitário por um sonho de amor. Um choque para a família, mas Lígia estava decidida. Viveu vida de princesa: casa, mimos, presentes e muito amor demonstrado pelo companheiro. ?Ele era capaz de tudo por essa menina?, confessa a mãe da adolescente. O sonho acabou quando Lígia anunciou que estava grávida de dois meses. Ficou chocada quando ele propôs um aborto, porque o companheiro sempre disse que queria um filho com ela. De repente foi abandonada à própria sorte, sem casa, sem mimos e até o plano de saúde ele cortou. ?Era o momento que eu mais precisava dele?, lamenta Lígia, disposta a tocar a vida e buscar seus direitos. ?Ele tem deveres com a minha filha e eu vou lutar por isso?, anuncia. O perfil social de Elenice Dantas se enquadra nos indicadores da maioria das pesquisas nacionais em relação à gravidez na adolescência. Escolaridade Por amostragem, a maioria das jovens gestantes, quando muito, possui o Ensino Fundamental incompleto e o nível econômico aparece como um fator de grande importância, quase determinante: é nas classes mais pobres onde há maior incidência de adolescentes grávidas. Os fatores são diversos: desinformação ou falta de orientação sexual, pouco acesso a métodos anticoncepcionais, desejo de sair de casa para mudar de vida são alguns deles. Filha de pais separados, de baixíssima renda, Elenice cursou até a 5ª série. Aproveitou a ?liberdade? de decisão, conquistada com o casamento e abandonou a escola quando deixou a casa dos pais. Não tem vontade de voltar a estudar. ?Não gosto muito. Quero cuidar da minha filha que agora é a coisa mais importante da minha vida?, diz ela. Responsabilidade O companheiro, hoje, com 16 anos, não tem emprego fixo. Vende mungunzá no Benedito Bentes, bairro onde moram. Nunca estudou, mas este ano vai começar. Está matriculado na 1ª série do Ensino Fundamental. Com a responsabilidade de uma filha para criar e o traçado da própria vida ainda em construção, numa condição socioeconômica de extrema desvantagem, dificilmente a trajetória de Elenice e seu companheiro tomará um rumo emergente, de melhoria de condição de vida. Como disse o médico Dráuzio Varella, um dos mais conceituados do País, autor de ?Carandiru? e da série ?Grávidas do Fantástico?, em entrevista ao jornalista Mário Lima (GA), ?ficar grávida ainda criança é uma das conseqüências mais perversas de nosso sistema educacional. A menina pobre, sem instrução, que começa a vida com um bebê no colo, dificilmente conseguirá mudar seu destino de miséria e ignorância?.

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