Cidades
Benzedeiras guardam segredo das rezas e do conhecimento
O povo guarda e mantém sua cultura e suas tradições, nelas incluídas suas cantigas, seus remédios e suas devoções, enquanto fazem sentido em sua vida e, portanto, enquanto lhes são úteis. O que pode ser entendido como demonstração de que a prática da medicina não pode ser isolada da realidade social. Mesmo tendo acesso à assistência médica, muita gente busca nos curandeiros e rezadeiras o algo mais que o médico não oferece. As pessoas que estudam e entendem as questões naturais, espirituais, sobrenaturais, os esotéricos, os místicos e outros dizem que o homem pode enfrentar desconforto físico de diversos tipos. Entre eles, a sabedoria popular aponta o quebranto, os efeitos da lua nova, a espinhela caída, os vermes, micróbios, o alimento ingerido quente, uma praga rogada, o castigo de Deus, do Santo, do orixá, um encosto, feitiço, etc. Para cada um desses males, o curador tem um remédio e uma reza adequada. Uma benzedeira jamais ensina suas orações e seus conhecimentos. O segredo faz parte da cura e, por isso, não se consegue entender o que a rezadeira diz. Exceto quando chega a hora de repassar o conhecimento a outras pessoas escolhidas para continuar a missão. A viçosense Severina, por exemplo, revela que, pelo que lhe ensinou D. Chiquinha, ao completar 70 anos, terá que encontrar alguém para ensinar o que aprendeu. ?Se eu chegar lá, tenho que encontrar alguém para me substituir?, confirma ela, lamentando que nenhuma das duas filhas tem interesse pelas rezas e plantas que curam. As curandeiras costumam usar folhas para preparar chás, macerações, garrafadas e banhos, mas o conhecimento sobre a utilidade e forma de aplicação das plantas tende a desaparecer justamente pela falta de interesse dos mais jovens. No Brasil, há pesquisadores que correm contra o tempo para recolher, identificar e testar todas as espécies usadas para curar doenças, contando com a colaboração dos conhecidos raizeiros, aqueles que conhecem e preparam as fórmulas naturais.