Cidades
Macei� poder� ter novos Salgadinhos
VALMIR CALHEIROS A Campanha da Fraternidade, lançada anualmente pela Igreja Católica, e dedicada este ano às questões relacionadas à água, coincide com a preocupação de especialistas em recursos hídricos em Alagoas, como o geólogo Abel Tenório Cavalcante, diante da utilização sem controle dos mananciais subterrâneos e de superfície. Principalmente na região de Maceió. Ele adverte que vários rios, como Remédio, Jacarecica, Guaxuma, Riacho Doce e Pratagy, e seus afluentes, como se já não bastassem os problemas da poluição, estão sendo transformados, lentamente, em novos riachos como o Salgadinho, deixando de ser perenes nos próximos 20 ou 30 anos. Cavalcante e outros estudiosos chegaram a esta conclusão após estudos recentes que constataram o rebaixamento do nível do lençol freático em torno de 30 metros em algumas áreas. O engenheiro civil e consultor em meio ambiente e recursos hídricos, Gustavo Silva de Carvalho, concorda com as preocupações do geólogo, lembrando que o rio Jacarecica, nos anos 70, chegou a ser estudado como uma das alternativas para suprir as necessidades de água da população de Maceió. E não passou disso, por causa de vários fatores, como a degradação ambiental nessa área e toda uma série de problemas decorrentes da expansão urbana desordenada. Contudo, o engenheiro não deixa de manifestar seu otimismo com as iniciativas que começam a surgir em defesa desses e outros recursos naturais. Especialmente com o início do funcionamento, mesmo ainda em sua primeira etapa, do Sistema Pratagy, projetado e com as obras de implantação iniciadas nos anos 80. Mais desafios Carvalho observa que o Sistema Pratagy começa a ser realidade com captação estimada de 1.080 litros por segundo, ?graças ao empenho do atual governo do Estado. O que é um grande passo. Sobretudo para uma cidade como Maceió, com mais de 700 mil habitantes, e que tem 80% de seu abastecimento dependendo de poços?. Ao mesmo tempo, ele lembra a existência de outros problemas ligados aos recursos hídricos em Maceió, destacando o desperdício que é em torno da metade da quantidade de água tratada que chega às torneiras em Maceió. ?20% dessas perdas são causadas por vazamento e o restante por várias formas de uso indevido, inclusive do processo popularmente conhecido como ?gato?. Carvalho também chama a atenção para outros aspectos relacionados a este setor. Como a demanda reprimida, a precariedade das tubulações em alguns bairros da parte baixa das cidades, que foram implantadas quando eles começaram a receber os benefícios dos serviços de abastecimento de água potável e de esgotamento sanitário entre as décadas de 40 e 50. De acordo com ele, o Pratagy deverá suprir 40% das necessidades de água tratada em Maceió, as quais têm se agravado nos últimos 30 anos com as nossas reservas hídricas sofrendo o impacto do crescimento urbano desordenado. Isto impermeabiliza o solo, concorre para a exploração de poços sem controle, para a ocupação das encostas, os desmatamentos, e o crescimento do número de lixões a céu aberto. Para acentuar as deficiências da rede de esgotos, de drenagem e da destinação final inadequada do lixo e dejetos das residências, das indústrias e de serviços de saúde.