Cidades
Coleta seletiva vira trabalho cooperativado e rent�vel
A situação de Maria Teixeira, Heleno e José Carlos é igual a de milhares de pessoas que sobrevivem do lixo, no entorno da Vila Emater ou em qualquer localidade onde o entulho é farto e possa se transformar em renda. Dentro do espaço reservado ao aterro controlado, 20 famílias trabalham num galpão, de maneira organizada, em regime cooperativado, separando o lixo para reciclagem. Separam cerca de 25 toneladas de lixo por dia, o que é pouco diante das 1.100 toneladas recolhidas da cidade. Há três anos eles saíram do meio do lixão, onde catavam, e passaram a trabalhar com o lixo da coleta seletiva de algumas empresas. São poucas ainda, segundo o coordenador do aterro, mas já dá para ocupar todas as horas de serviço de dois caminhões que trabalham com uma agenda de coleta seletiva em pontos acertados com essas empresas. A produção do trabalho da cooperativa é vendida a atravessadores que, por sua vez, vendem para compradores de outros estados. O destino final do produto é um segredo de trabalho que eles guardam consigo. Afinal, para eles o quilo da latinha de Coca-Cola comprada de ?seu? Heleno a R$ 0,09, por exemplo, não rende menos que R$ 0,25. Exportando lixo Porque a reciclagem de lixo, tão benéfica ao meio ambiente e capaz de gerar renda para famílias, não engrenou em Alagoas? Segundo Paulo Noronha, um dos motivos é a falta de empresas para fazer a reciclagem. ?Houve um tempo em que começamos a separar os potes de margarina. Mas não existe comprador. Juntar sem ter a quem vender não faz sentido?, observa ele, destacando que só conhece duas empresas em Maceió que trabalham com reciclagem de material plástico, produzindo sacos para lixo e canos de PVC. ?Há um potencial muito grande. Das garrafas de refrigerante do tipo pet, por exemplo, pode-se fazer de vassoura, que é o mais prático, até material esportivo, como tênis e corda de alpinismo. Não sei porque não temos aqui uma indústria dessas?, diz ele. Por isso mesmo, segundo Noronha, exportamos quase tudo que é retirado do nosso lixo, por meio de atravessadores que compram dos separadadores e catadores. ?Vidro, metal, alumínio, papel, quase tudo vai para fora, porque praticamente não há empresas de reciclagem instaladas em Alagoas. De acordo com Noronha, a população, de uma maneira geral, não absorveu bem a idéia da reciclagem até hoje. Houve uma época em que a Slum (ainda Cobel) chegou a espalhar 300 contêineres pela cidade de Maceió para a coleta voluntária do lixo seco, com recolhimento programado por dias na semana. Mas as pessoas colocavam junto o lixo perecível, molhado, e como o recolhimento não era diário, o lixo entrava em decomposição provocando mau cheiro. ?Hoje, nós recebemos na Slum e temos dois caminhões que fazem a coleta em pontos voluntários, por agendamento?, explica ele.