Cidades
Mulheres perdem o medo e denunciam agress�es
FÁTIMA ALMEIDA Ameaças, lesões corporais leves ou graves, atentado violento ao pudor, estupro são os casos de violência mais registrados na Delegacia de Mulheres de Maceió. Nos dois primeiros meses deste ano foram feitas 299 ocorrências de ameaças e 293 de lesão leve (tapa, murro, arranhão, etc.). Na delegacia há pelo menos quatro presos, um deles por lesão grave, e mais de 70 inquéritos estão em processo de apuração, por denúncia de crimes mais graves. Embora não existam estatísticas fechadas, na avaliação da delegada Fabiana Leão a mulher começa a perder o medo de denunciar agressões sofridas. Os primeiros sinais disso apareceram durante a exibição da novela ?Mulheres Apaixonadas?, quando a personagem Raquel, que apanhava do companheiro, resolveu denunciá-lo. O movimento cresceu, segundo a delegada. Mas a base de sua tese não está apenas nos números, e sim no comportamento das mulheres. ?Há pouco tempo elas vinham e traziam a família inteira, a vizinha, as amigas, como se isso lhe desse mais segurança, mais proteção. Hoje, a maioria vem só, resolve seus problemas de forma natural e não demonstra mais tanto constrangimento por estar numa delegacia?, diz ela. Outro indicativo de que as mulheres estão perdendo o medo de denunciar, segundo a delegada, é o crescimento de casos de policiais entre os agressores denunciados. ?Se elas estão perdendo o medo de um agressor que anda armado isso é um bom sinal?, avalia. Na opinião da delegada, o ambiente criado na Delegacia da Mulher, instalada no Centro da cidade, colaborou com essa mudança de comportamento. ?Aqui não parece muito com uma delegacia. Parece mais um consultório?, observa. Penas brandas O problema é que a lei é branda e a maioria dos homens denunciados por agressão acaba pegando penas alternativas de prestação de serviços ou pecuniárias, o que leva muitas mulheres a desistir. Isso, na avaliação da delegada, é um erro. O problema, segundo ela, é que a maioria das mulheres, quando procura a delegacia, já foi maltratada tantas vezes que está no seu limite de tolerância. Só que para a Justiça, aquela agressão é a primeira, e deve ser tratada como tal. ?Não existe prisão para uma agressão leve, nem contra homem nem contra mulher. As penas alternativas são aplicadas para evitar que o cidadão volte a praticar delinqüência. Portanto, mesmo que a primeira pena seja considerada leve, a pessoa agredida não deve desistir, porque se o agressor reincidir, a pena, na segunda vez, já não será tão branda?, destaca ela. Seu conselho para as mulheres é não esperar a próxima vez. Mesmo uma ameaça deve ser denunciada. ?A mulher agredida, seja de que maneira for, deve procurar a delegacia especializada, porque aqui existem pessoas capacitadas para ajudá-la. Quem leva o primeiro tapa, certamente será agredida novamente?, avalia.