Cidades
M�dicos anunciam boicote a dois planos de sa�de
FÁTIMA ALMEIDA Os médicos conveniados do Saúde Bradesco e Sulamérica vão suspender o atendimento pelos dois planos, a partir do dia 30 de março. A estratégia faz parte da mobilização nacional que os profissionais de saúde realizam pela implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) definida na Resolução nº 1.673/03, do Conselho Federal de Medicina (CFM). Trocando em miúdos, os profissionais querem estabelecer um padrão mínimo de remuneração dos procedimentos médicos para os planos de saúde. Com base num estudo realizado pela FIP, a pedido do Conselho Federal, a categoria chegou ao valor de R$ 42,00 como remuneração básica. Em entrevista coletiva, ontem pela manhã, a Comissão Estadual de Honorários Médicos - formada por várias entidades da categoria, entre elas o Conselho Regional de Medicina, Sindicato dos Médicos e Sociedade de Medicina - destacou que nos últimos dez anos os planos de saúde aplicaram mais de 170% de reajuste sobre os valores pagos pelos usuários, entretanto, ainda trabalham com tabelas de 1990. Um exemplo citado foi o Saúde Bradesco, que apresentou lucros de R$ 2,3 bilhões no ano passado, mas paga aos profissionais o valor de R$ 27,00 pela consulta realizada, segundo informou a comissão. Os profissionais esclarecem que os pacientes não deixarão de ser atendidos. Entretanto, enquanto não houver acordo com os planos de saúde eles terão que pagar R$ 42,00 pela consulta, (mesmo que estejam em dia com o pagamento), e buscar o ressarcimento junto aos convênios. Cobrança extra Para minimizar os problemas que essa decisão possa causar, os médicos estão numa campanha de mobilização buscando sensibilizar os pacientes e conquistá-los como aliados, abordando a tese de que, com um médico melhor remunerado o paciente também é beneficiado com um atendimento melhor. Em Alagoas existem cerca de 120 mil usuários de planos de saúde e a garantia dos direitos desses consumidores já é uma preocupação do Procon, o órgão de defesa do consumidor, que já se posicionou, alertando que tomará as medidas necessárias para que esse direito seja respeitado. O Procon alerta sobre a ilegalidade de cobrança de qualquer taxa adicional aos usuários de planos de saúde. De acordo com a Comissão de Honorários, a posição da categoria não se choca com a da instituição. ?O que o Procon defende, nós também defendemos: que o atendimento dos usuários seja assegurado; que eles sejam indenizados dos valores gastos em consultas, pelos convênios; e é consenso entre nós que os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos pelo Plano de Saúde, dentro dos valores em vigor?, diz o médico Cléber Oliveira, membro da comissão. Quanto à responsabilidade solidária do médico, eles questionam, alegando que existe uma entidade federal (o CFM) que dirime dúvidas relativas aos comportamentos e procedimentos profissionais.