Cidades
Justi�a federal deve parar atividades no in�cio de abril
BLEINE OLIVEIRA Os servidores do Poder Judiciário Federal em Alagoas aprovaram a proposta de greve geral que pode paralisar os serviços da Justiça Federal no Estado. O indicativo proposto pela Coordenação Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais (Cnesf) prevê paralisação das atividades em todo o País, em abril, se o governo não der aumento para trabalhadores do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e Ministério Público da União (MPU). Esses servidores reivindicam reposição de 127% referentes às perdas salariais acumuladas nos últimos nove anos, mas o governo só admite reajustar os salários em 2,6%. ?Esse índice é inaceitável, por isso estamos mobilizando a categoria?, disse Paulo Falcão, coordenador-geral do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal e MPU em Alagoas (Sindjus/AL). Segundo ele, o indicativo de greve só poderá ser suspenso se o governo reajustar os salários da categoria em pelo menos 9,7%, índice calculado pelo Departamento Intersindical de Estudos Sociais e Econômicos (Dieese) referente às perdas salariais de 2003, e garantir a continuidade da negociação em torno das demais reivindicações do setor. Insatisfação O Sindjus/AL vai se juntar a todas as entidades sindicais do País para garantir a reposição salarial reivindicada pelos servidores da Justiça federal. Portanto, advogados e todas as pessoas que têm interesse nos serviços do Judiciário devem se preparar pois, segundo avaliação dos dirigentes, o clima é de tamanha insatisfação que mais de 70% dos funcionários deverão aderir à greve. O coordenador-geral do Sindjus/AL afirma que a mobilização no Judiciário é um sinal claro de que acabou a ?lua-de-mel? entre trabalhadores e governo. Passado um ano do governo Lula os trabalhadores percebem que as suas esperanças de um novo rumo para a economia brasileira caíram por terra. ?Continuamos com a mesma política de arrocho salarial dos últimos anos? - afirmou Paulo Falcão. Na avaliação dele, ao votar e apoiar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, os trabalhadores esperavam que fosse freado o processo de neoliberalização (mínima intervenção do Estado na economia) que teve seu auge na administração de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ?Sabíamos que continuaria difícil avançar em conquistas, mas não esperávamos perder o que já tínhamos?- disse o dirigente sindical alagoano. Assim, a posição do Sindjus e das entidades nacionais dos servidores da Justiça Federal é, segundo Paulo Falcão, ?acordar os trabalhadores para mostrar que o sonho acabou e, por decisão do próprio governo, está desfeita a aliança que levou Lula à presidência da República?.