Cidades
Federais v�o reagir � manobra do governo para acabar greve
GILVAN FERREIRA A informação de uma suposta pressão do Ministério da Justiça e da direção da Polícia Federal para que a Justiça decrete a ilegalidade da greve dos policiais federais, que foi iniciada na terça-feira, provocou um clima de tensão e revolta entre os líderes do movimento grevista, que prometem reagir à manobra do governo para enfraquecer o movimento. O presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Jorge Venerando, fez críticas à suposta pressão do Ministério da Justiça e da direção nacional da Polícia Federal, que estariam mantendo, segundo ele, uma postura ?reacionária? e ?retrógrada?. Ele disse que a categoria estava pronta para o debate político e jurídico com o governo federal. ?Nós estamos prontos para o debate político e o confronto de idéias. Nosso movimento é pacífico e ordeiro, mas não vamos aceitar a pressão e as ameaças do Ministério da Justiça e da direção nacional da Polícia Federal para o fim da greve. Fomos informados de que um delegado da Polícia Federal foi utilizado para fazer consultas e orientar juízes federais para decretar a ilegalidade da greve, mas eles deveriam saber que estamos garantidos pela própria Lei, já que estamos lutando para a implantação dos dispositivos da Lei 9269/96, que estabelece a equiparação salarial entre os servidores públicos federais. Esse tipo de manobra, retrógrada e reacionária, não ajuda a resolver o impasse sobre a implantação da Lei 9269/96, que garante o direito de equiparação salarial entre os policiais federais e as outras categorias do serviço público federal?, disse Venerando. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, voltou a reafirmar que a reivindicação da Federação Nacional dos Policiais Federais não tem nenhuma base jurídica e o governo federal não teria condições de implantar a equiparação salarial exigida pelos policiais federais, que implicaria em um reajuste de 85,4% nos salários de agentes, escrivães e papiloscopistas. Segundo o ministro, a implantação desse reajuste implicaria em um aumento de R$ 600 milhões na folha anual de salários da União. Além disso, os salários dessas três categorias (agentes, escrivães e papiloscopistas) seriam equiparados aos dos delegados federais. O presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Jorge Venerando, negou a versão do ministro e garantiu que o objetivo é tentar jogar a população contra a categoria. Rumo ao Planalto Em assembléia realizada no final da manhã de ontem, os policiais federais decidiram formar uma caravana, que viaja, amanhã, para Brasília. A caravana de Alagoas, formada por 40 policiais, vai se juntar aos dois mil policiais federais que vão montar acampamentos, a partir da próxima semana, no Palácio do Planalto e Ministério da Justiça, em Brasília. Os dirigentes do Sindicato dos Policiais Federais em Alagoas garantem que a greve paralisou as investigações de 600 processos, suspendeu as ações da operação Anaconda e de combate ao funcionamento de bingos; repreensão às drogas e tráfico de armas e emissão de passaportes. No País, segundo a Federação Nacional dos Policiais Federais, a greve tem a adesão de 80% dos cerca de 9.000 policiais federais.