Cidades
Limites no teto financeiro entravam assist�ncia oncol�gica
Um dos maiores problemas enfrentados pelos hospitais públicos em Alagoas é a questão do atendimento a crianças vítimas de câncer. Há crianças diagnosticadas com a doença e pelo fato de os hospitais atenderem ao teto do Sistema Único de Saúde (SUS), muitas delas ficam sem o atendimento. É que muitas vezes, quando o teto chega ao limite, é preciso esperar que seja emitida uma nova Autorização de Procedimento de Alto Custo (APAC), para que sejam disponibilizados os recursos necessários à viabilização do tratamento. O problema foi citado pelo presidente da Sociedade Alagoana de Pediatria (SAP), médico Paulo Medeiros Costa, durante realização do IV Congresso Alagoano de Pediatria. ?Cada hospital tem um limite de APAC?s, e, ultrapassando esse limite, em um mês, se o hospital incluir a criança com câncer no tratamento, poderá não receber o pagamento pelo respectivo serviço, pois o limite já foi atingido. Por isso, a nossa briga é para que esse teto seja aumentado?, explicou. Ele afirmou que quando o limite mensal é ultrapassado, o hospital só realiza o tratamento na criança, quando a Secretaria Executiva da Saúde (Sesau) autoriza e dá garantias de que a unidade hospitalar vai, realmente, receber os recursos. ?Se não for assim, o Serviço de Oncologia do hospital, responsável pelo tratamento de vítimas de câncer, poderá até iniciar o tratamento no paciente, mas não terá garantias de que vai receber pelo serviço. Aí a situação se complica. Como um hospital vai fazer um tratamento desse sem ter a certeza de que os recursos serão repassados?, questionou. O Congresso Alagoano de Pediatria teve início na última quarta-feira e será encerrado hoje. Ontem, como parte da programação, foi realizado um fórum de debates, com a participação do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), para discutir a questão da não existência de UTI?s pediátricas públicas em Alagoas. ?Existem apenas nove leitos, pelo SUS, na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, mas são utilizados para os pós-operatórios, principalmente para cirurgias cardíacas neurológicas. Para os casos clínicos, não há leitos. Se uma criança, por exemplo, tiver uma pneumonia e o quadro se agravar, precisando ser internada na UTI, não há como fazê-lo?, observou. Segundo o presidente da SAP, está em implantação a UTI pediátrica da Unidade de Emergência Armando Lages, mas com previsão de funcionamento para daqui a seis meses. ?Uma outra boa opção seria a abertura da UTI pediátrica do Hospital Dr. José Carneiro. O projeto arquitetônico já está quase pronto e esperamos que o governo do Estado disponibilize os recursos necessários para a sua execução?, disse Paulo Medeiros.(FM)