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165 crian�as s�o v�timas di�rias da viol�ncia sexual

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FÁTIMA ALMEIDA A violência contra a criança e o adolescente acontece todos os dias, e na maioria das vezes, dentro dos próprios lares. A dimensão varia, desde o tapa com pretensões corretivas até a lesão grave ou gravíssima, que às vezes leva até a morte. A forma mais perversa, no entanto, é a violência sexual, que além da agressão física quase sempre deixa seqüelas psicológicas muito sérias, provocadas pelo trauma da experiência em si e pela pressão e ameaças sofridas pela vítima para manter o silêncio sobre a ocorrência. As vítimas mais freqüentes são as meninas na faixa dos 7 aos 14 anos de idade. A cada dia, 165 crianças ou adolescentes sofrem abuso sexual no Brasil, o que dá uma média de sete vítimas a cada hora. Há indicativos de que uma a cada quatro meninas brasileiras é abusada sexualmente até os 18 anos de idade. Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Secretaria Nacional de Inclusão Educacional e foram apresentados esta semana pelo advogado Gilberto Irineu, coordenador da Frente de Defesa da Criança e do Adolescente (FDCA), durante um encontro com mães e pais da Vila Brejal, no lançamento do projeto ?Infância Mutilada?, cujo objetivo é discutir e orientar as famílias sobre como agir diante da violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes. Irineu trabalhou também com dados da Associação Brasileira de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), que mostram que a cada 100 denúncias de maus-tratos no Brasil, nove são de abuso sexual. Em Maceió, ele cita a Vila Brejal como um dos locais onde se registra o maior índice desse tipo de violência. Um dos termômetros dessa realidade, segundo o advogado, é a quantidade de denúncias que chegam à FDCA ou aos conselhos tutelares. Há pouco tempo, quatro homens invadiram a casa de uma adolescente de 14 anos, virgem, e a violentaram sexualmente por sete horas seguidas, das 5h ao meio-dia. O caso foi levado ao conhecimento da Frente e a menina está recebendo tratamento. No mesmo bairro, um senhor de 60 anos vive maritalmente com uma criança de 11, com o apoio da avó da menina. O caso foi denunciado pelos vizinhos. Uma outra situação levada ao conhecimento das entidades de apoio à Criança e ao Adolescente é a de um padrasto, que deixou a companheira para viver com a enteada, hoje com 14 anos.

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