Pesquisa
377 MIL ALAGOANOS MAIORES DE IDADE SOFRERAM ALGUM TIPO DE VIOLÊNCIA
IBGE diz que 60 mil vítimas deixaram de realizar atividades habituais em decorrência da violência sofrida


Levantamento divulgado na sexta-feira (7), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que 377 mil alagoanos de 18 anos ou mais sofreram algum tipo de agressão física, psicológica ou sexual em um ano. O volume corresponde a 15,8% do total de alagoanos nessa faixa etária.Em Alagoas, a violência atingiu mais as mulheres (16,4%) que os homens (14,8%) De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), que toma como base o ano de 2019, cerca de 60 mil dessas vítimas deixaram de realizar atividades habituais em decorrência da violência sofrida. Segundo o IBGE, do total de alagoanos violentados no ano de referência da pesquisa, 361 mil sofreram algum tipo de violência psicológica. O número equivale a 95,7% do total de vítimas. Em seguida aparecem as vítimas de violência sexual, com 23,6% - ou 89 mil alagoanos. Por fim, aparecem as pessoas que sofreram algum tipo de violência física, com 83 mil registros (ou 22% do total). A pesquisa do IBGE mostra ainda que do total de vítimas de violência psicológica em Alagoas, 210 mil eram mulheres, enquanto 151 mil eram homens. Já em relação à violência sexual, 63 mil eram mulheres, e 26 mil, homens. O levantamento mostra ainda que quando se trata de violência física, o número de casos é igual para os dois sexos, com 41 mil registros, cada. Em todo o País, o levantamento estimou que cerca de 29,1 milhões das pessoas de 18 anos ou mais de idade sofreram algum tipo de agressão psicológica, física ou sexual em um ano. O volume corresponde a 18,3% da população nessa faixa etária. Além disso, cerca de 12% (ou 3,5 milhões) dessas vítimas deixaram de realizar atividades habituais em decorrência da violência sofrida. Por detalhamento, a pesquisa do IBGE estimou que 17,4% da população brasileira (ou 27,6 milhões de pessoas) sofreram violência psicológica, 4,1% (o equivalente 6,6 milhões) sofreram violência física e 0,8% (1,2 milhão) sofreram violência sexual. A maior parte dos autores desses três tipos de violência são pessoas conhecidas das vítimas. Estas, em sua maioria, eram mulheres. As prevalências de terem sofrido violência também foram maiores para jovens e para pessoas pretas e pardas.
FAIXA ETÁRIA
A prevalência de casos de violência é mais acentuada nas pessoas de 18 a 29 anos (27,0%) e nas pessoas pretas (20,6%) e pardas (19,3%), ante 16,6% para as pessoas brancas. A prevalência foi de 22,5% entre as pessoas com rendimento de até 1/4 do salário-mínimo e de 16,9% para aquelas com rendimento acima de 5 salários-mínimos. Cerca de 3,5 milhões de pessoas (ou 12,0% das vítimas) deixaram de realizar atividades habituais em decorrência da violência sofrida. A prevalência feminina (15,4%) é mais que o dobro da masculina (7,6%). A pesquisa também investigou as consequências para a saúde das vítimas de violência psicológica, física ou sexual. Essas consequências foram classificadas como psicológicas (medo, tristeza, desânimo, dificuldades para dormir, ansiedade, depressão ou outras consequências psicológicas); físicas, (hematomas, corte, fraturas, queimaduras ou outras lesões físicas ou ferimentos); e sexuais (doença sexualmente transmissível ou gravidez indesejada). Cerca de 2,3 milhões das vítimas procuraram atendimento de saúde, o que significa 15,6% das pessoas que alegaram ter tido alguma consequência devido à violência sofrida. Para os homens, este percentual foi de 13,2% e para as mulheres, 16,9%. Por cor ou raça, os percentuais foram de 17,5% das pessoas brancas, 14,8% das pardas e 13,4% das pretas. Em 2019, 27,6 milhões de pessoas de 18 anos ou mais disseram sofrer agressão psicológica, ou seja: 17,4% da população nesse grupo etário e 95,0% das pessoas que sofreram alguma violência. O percentual de mulheres vitimadas foi maior (18,6%) que o dos homens (16,0%). A prevalência da população com 18 a 29 anos (25,3%) superou a da população com 60 anos ou mais (9,6%). A prevalência das pessoas pretas (19,3%) e pardas (18,3%) superou a das brancas (15,9%). O grupo com menor rendimento (até 1/4 do salário-mínimo) tinha a maior taxa de vítimas (21,1%), ante o grupo acima dos 5 salários-mínimos (16,2%). Cerca de 59,1% das vítimas de violência psicológica foram ofendidas, humilhadas ou ridicularizadas na frente de outras pessoas, e a taxa das mulheres (61,3%) superava a dos homens (56,2%). Alguém ter gritado com ou xingado foi indicado por 76,4% das vítimas, também com a prevalência das mulheres (79,2%) superando a dos homens (72,8%).