Cidades
Cadastramento emperra programas sociais no Estado
Quarenta e cinco mil cadastros de programas sociais do governo federal estão completamente paralisados em Maceió. Para se ter uma idéia, só do Bolsa-Escola, na região do Conjunto Benedito Bentes, mais de 120 famílias não receberam o benefício, nem ao menos o cartão. A lentidão do município para realizar o cadastramento está emperrando o andamento do programa, criado pelo governo federal em 2001, que dá uma ajuda de R$ 15,00 mensais para as famílias carentes com renda inferior a R$ 90,00 por pessoa e que têm filhos na escola. Uma reunião realizada, ontem, com representantes dos órgãos envolvidos no programa, tentou resolver o impasse, que vai acabar no Ministério Público (MP). ?Estive na Secretaria Municipal de Educação, na última quarta-feira, e vi centenas de cadastros do Bolsa-Escola no chão. Isso dá uma idéia de que essa relação ainda não foi encaminhada à Caixa Econômica Federal?, disse o conselheiro tutelar do Benedito Bentes, Cacá Martins. O coordenador do Bolsa-Escola em Alagoas, Pedro Jorge Pimentel, também esteve presente à reunião e disse que a responsabilidade pelos cadastros que ficaram retidos durante todo esse tempo é da Secretaria Municipal de Ação Social. ?Não fomos nós que fizemos o cadastro, mas uma empresa contratada pela secretaria. Então, ela é quem pode dizer o que está acontecendo?, afirmou. Enquanto isso, as famílias que fizeram o cadastro há três ou quatro anos ainda esperam que os dados sejam encaminhados a Brasília, para que possam começar a receber o benefício. Luta ?Estou desempregado, tenho cinco netos que estudam e fiz o cadastramento em 2001. Até agora, nunca recebi benefício algum. Há quatro anos estou nessa luta e espero receber esse dinheiro?, reclama Amaro de Moraes. O mesmo problema vive dona Maria José dos Santos. Ela tem oito filhos, o marido é lavador de carros e não tem renda fixa. Há dois anos inscreveu três filhos no Bolsa-Escola, mas só recebe o benefício de um filho. ?Somos pobres, não temos nada para dar de comer aos nossos filhos e precisamos desse dinheiro. É pouco, mas tudo o que nos chega ajuda, é bem-vindo?, declara. Outras cerca de 120 famílias passam pela mesma situação, pois a maioria não tem emprego fixo e precisa dos programas sociais para sobreviver. Na ocasião, o conselheiro do Benedito Bentes, Cacá Martins, aproveitou para fazer a relação de quem se cadastrou e não recebeu o benefício nem o cartão. Segundo ele, os dados serão encaminhados ao MP. Já a Secretaria Municipal de Ação Social, informou que criou, na última semana, uma Central de Digitação e que os cadastros já começaram a ser digitados. Disse, ainda, que alguns nomes já foram encaminhados a Brasília. As outras famílias, no entanto, continuarão a ser cadastradas até o início do mês de junho. (FM)