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Meningite mata duas crian�as na periferia de Macei�

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FELIPE FARIAS Duas crianças morreram de meningite meningocócica, no Reginaldo e no Feitosa, em Maceió. Essa é a variedade da doença que mais preocupa por ser transmissível. Um terceiro caso foi registrado no Prado, mas a paciente, uma mulher de 51 anos, está hospitalizada. As autoridades de saúde estão em alerta na região, mas, segundo o secretário Álvaro Machado, não há motivo para pânico porque a possibilidade de surto está afastada. Ele acrescenta que, por esse mesmo motivo, não se justifica uma campanha de vacinação nesse momento. Pelos critérios epidemiológicos, só existe surto quando ocorre um grande número de casos por um mesmo tipo de agente causador da doença. ?O alerta é baseado em dois motivos: os casos foram registrados em bairros próximos e foram graves, evoluindo de modo rápido para o óbito. Mas, não é preciso pânico porque não há um surto e todas as medidas necessárias já foram adotadas para controlar a doença?, garantiu o secretário. Por outro lado, ele adverte a população para que redobre os cuidados, procurando as unidades de saúde sempre que houver casos de cefaléia (dor de cabeça), febre, vômitos e rigidez na nuca, principais sintomas da meningite. ?É um cuidado importante nesse momento: até mesmo um caso de gripe deve ser submetido à avaliação médica?. O secretário informou, ainda, que foi descartada a possibilidade de meningite como causa da morte da babá Maria de Fátima Augusto, em União dos Palmares. Mortes Camila Maria Rodrigues, de 7 anos, morreu na última sexta-feira no Hospital de Doenças Tropicais (HDT). Ela morava no Alto da Boa Vista, no início do Vale do Reginaldo, e, segundo a família, chegou da escola na quinta-feira se queixando de dor de cabeça e com febre. ?Eu pensei que fosse virose?, disse a mãe, Maria Lúcia Ramires da Silva. A menina foi levada para o pronto-socorro e, na manhã da sexta-feira, segundo a mãe, quando apareceram manchas na pele, características da doença, foi transferida para o HDT, onde chegou por volta de 8h. Às 11h, ela morreu. No mesmo dia, à tarde, foi sepultada no Cemitério São José. Bloqueio A diretora do departamento de Defesa à Saúde do município, Lúcia Barbosa, disse que ainda durante o fim de semana foi iniciado o bloqueio epidemiológico: busca de pacientes com sintomas parecidos e aplicação de tratamento quimioterápico (com medicamentos) em todos os moradores situados a um raio de 500m a partir da casa em que Camila morava. Essas medidas serão mantidas por dez dias, o período de incubação da doença. A diretora informou, ainda, que toda a população está sendo orientada a procurar o posto de saúde da comunidade, ou diretamente o HDT, sempre que houver qualquer sintoma, como dor de cabeça ou febre. ?O que define a meningite sem deixar dúvidas é a rigidez na nuca. Mas, quando ocorre esse sintoma, muitas vezes o quadro já está muito adiantado. Daí a importância de as pessoas ficarem atentas a esses outros sintomas?, adverte o médico do posto, Luís Maxwell Bastos. A outra morte ocorreu no Feitosa. Érica Rocha Timóteo da Silva, de 11 meses, morreu às 6h30 do último sábado, apenas uma hora depois de dar entrada no HDT. Um terceiro caso da doença foi registrado no Prado. Uma mulher de 51 anos está internada no hospital da Unimed, no Farol. Como o caso ainda está sendo acompanhado pelos médicos, sua identidade não foi revelada. Alerta As duas mortes deixaram as autoridades de saúde em estado de alerta porque ocorreram em bairros vizinhos, Reginaldo e Feitosa, e tiveram evolução considerada muito rápida; menos de 24 horas entre os primeiros sintomas e a morte. Por causa disso, segundo Lúcia Barbosa, não foi possível colher amostras no líquido da coluna (líquor), principal procedimento para diagnóstico laboratorial do agente causador da doença. Mas foram coletadas amostras das manchas da pele que Érica apresentava ao morrer. As amostras deverão ser enviadas à Fundação Instituto Oswaldo Cruz (FioCruz), no Rio de Janeiro, para análise laboratorial. Ontem, a diretora do Departamento de Atenção à Saúde esteve na Escola Lions, onde estudava Camila Ramires, acompanhada de agentes do PSF da região e da coordenadora de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde. A equipe foi até a sala onde funciona a 2a série turma ?C? e conversaram com os alunos. ?Só uma coleguinha que era mais chegada demonstrou alguma tristeza. Os demais demonstram preocupação, porque as mães falam em casa?, relatou a diretora adjunta, Delma Ferreira. A carteira em que Camila sentava permanecia vazia. Pelo menos uma mãe perguntou sobre a vacinação e um grupo de pais de alunos se concentrou em frente à escola, ao saber da presença dos representantes da rede de saúde. Hoje, haverá uma palestra para os pais e professores sobre os cuidados a serem tomados e como os alunos devem agir. Números De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), este ano Alagoas teve 14 casos da variedade meningocócica da meningite. Esta é a que mais preocupa por se tratar da variedade transmissível da doença. ?A meningite é uma doença que tem casos registrados ao longo do ano inteiro. Não há motivo para pânico porque cada vez que ocorre um, o monitoramento tem sido eficiente?, disse o secretário Álvaro Machado. Ele descartou que haja um surto da doença; o que afasta a necessidade de uma campanha de vacinação. ?Como não existe a indicação para aplicação da vacina, não adianta fazer a campanha porque a imunidade é relativamente passageira, de cerca de um ano a um ano e meio. E isso poderia dar à população uma falsa impressão de estar imunizada para sempre?, explicou. A única variedade da meningite meningocócica para a qual a vacina tem eficácia é a ?C?, mas o secretário não descartou a possibilidade de utilização da vacina cubana, aplicada à variedade ?B?, caso seja necessário. ?Mas, o importante é esclarecer que a vacinação só se aplica em caso de surto. E nós não estamos vivendo um surto da doença?, ratificou.

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