Cidades
Estado de alerta para meningite ser� mantido
FELIPE FARIAS O estado de alerta na rede de saúde deve se manter por, pelo menos, mais dez dias, devido à morte das duas meninas no Reginaldo e Feitosa, no fim da semana passada. Ambas foram causadas por meningite meningocócica, a variedade da doença que mais preocupa, por ser transmissível. Um homem de 27 anos, proveniente de Rio Largo, está internado no HDT (Hospital Escola Hélvio Auto, antigo Dona Constança), mas seu quadro ainda não é considerado de meningite. ?Não queremos colocar a população em pânico, mas é importante que ela permaneça em alerta porque a cura depende fundamentalmente de um diagnóstico e de um tratamento precoce?, adverte a coordenadora do Programa Estadual de Combate à Doença, Neila Neves. Ela acrescentou que outro motivo para o estado de alerta é o fato de as duas mortes da semana passada terem apresentado uma evolução muito rápida. ?A meningite tem um componente de sazonalidade, ou seja, em determinadas épocas o número de casos tende a aumentar, geralmente depois de períodos de chuva?, explica a médica infectologista Rosileide Alves, assessora da direção do HDT. Segundo ela, esses períodos induzem à aglomeração e ao confinamento das pessoas, fatores que aumentam os riscos de transmissão. A meningite se constitui na inflamação das meninges, membranas que recobrem o cérebro. Há diferentes variedades da doença, causadas por fungos, vírus e bactérias. Mas, a meningocócica é a que mais preocupa as autoridades de saúde por ser transmissível. ?O quadro clássico de sintomas é febre, cefaléia (dor de cabeça) e vômito?, explica a infectologista. Ela diz ainda que não há necessariamente uma ordem de aparecimento desses sintomas. A partir das mortes da semana passada, a recomendação das autoridades de saúde é para que o atendimento médico seja procurado sempre que uma pessoa apresentar um quadro de febre associado à dor de cabeça ? sem esperar pelos outros sintomas. O mais preciso deles para definir que se trata de meningite é a rigidez na nuca, mas em alguns casos, quando ele aparece a doença já se encontra em estágio avançado. Na segunda-feira, um homem de 27 anos deu entrada no HDT com um quadro que, de início, suspeitou-se ser da doença. Este seria o primeiro caso, depois das mortes no Feitosa e Reginaldo. Ele continua internado em estado grave, na enfermaria masculina da unidade. Apresenta sintomas de confusão mental, sonolência e não responde a estímulos. Mas, segundo a coordenadora, o caso ainda não é considerado de meningite. ?Como a recomendação é para que, havendo suspeita, seja cumprido o protocolo referente à doença, assim foi feito. Mas, já foi até realizado o exame do líquor (líquido retirado da coluna) e o resultado foi negativo?, informou Neila Neves. Entretanto, ela chamou a atenção para a necessidade de os médicos darem mais atenção aos sintomas da doença. Ontem à noite foi realizada uma palestra para a categoria, com a presença de representantes da direção da rede de saúde, para reforçar esse alerta. Até agora foram registrados 14 casos da doença em todo o Estado. No fim de fevereiro, uma adolescente de 15 anos morreu de meningite após retornar de São José da Laje. Família reclama de falha em atendimento médico O quadro da meningite que matou a adolescente Marcielly Sérgio Rodrigues, de 15 anos, também apresentou uma evolução rápida, segundo seu pai, Marco Antônio Sérgio da Silva. Ela morreu na quinta-feira depois do carnaval, dia 26 de fevereiro, e, segundo ele, os primeiros atendimentos foram deficientes. ?Só no HDT é que encontramos atendimento satisfatório. Estou fazendo esse alerta porque não quero que ninguém passe pelo que estou passando?, denuncia. A família de Marcielly mora no Barro Duro e, segundo Marco Antônio, ela não apresentava nenhum sintoma da doença até ir passar o carnaval na cidade de São José da Lage. ?Ela viajou para lá no sábado de carnaval, aparentando estar bastante saudável; mesmo quadro que apresentou ao chegar, na terça-feira seguinte?, conta o pai de Marcielly. Entretanto, na quarta-feira à tarde, ela começou a apresentar os primeiros sintomas de que estava doente: febre muito alta, ?de mais de quarenta graus?, e dor de cabeça. Na quinta-feira, segundo a família, apareceram as manchas na pele, consideradas outro sintoma que define tratar-se de meningite. ?Ela reclamou de um intenso queimor sobre a pele?, relembra o pai. Pouco antes de 8h, ele a levou para o pronto-socorro. ?Lá, uma médica que veio nos atender de início perguntou se a menstruação dela estava atrasada, porque poderia haver a suspeita de aborto. Ora, a menina apresentando um quadro daquele e a médica vem falar em aborto. Dava para ver que isso não tinha nada a ver com isso e que as perguntas sem nexo que ela fazia nos fizeram perder tempo?, reclama Marco Antônio. Ainda segundo ele, logo depois, uma outra médica observou o quadro de Marcielly e imediatamente orientou a família para removê-la para o HDT. Entretanto, ao chegar, seu quadro já era crítico e por volta de 23h30 a adolescente faleceu. Marco Antônio reclama ainda que diante do quadro atual de aparecimento de casos da doença, as autoridades de saúde não fizeram menção ao seu caso: ?Por que não quiseram falar no caso da minha filha??, questiona. Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Combate à Meningite, Neila Neves, os sintomas apresentados pela adolescente não eram muito precisos. ?Pelas informações que dispomos, a própria família demorou a procurar atendimento médico. Só a levou ao hospital quando apareceram as placas na pele?, diz a médica. Ela orienta a população a procurar assistência médica logo no primeiro aparecimento de febre e dor de cabeça. Muitas vezes, os outros sintomas da meningite, como vômitos, placas na pele e enrijecimento da nuca, só aparecem quando a doença está em seu estado mais grave e a cura fica mais difícil.