Cidades
DRT discute mercado de trabalho para deficientes
Alagoas possui cerca de 6 mil vagas em potencial para pessoas portadoras de deficiência (PPDs). Dessas, o número de preenchimento não fica muito longe de mil vagas. Os números, apresentados em entrevista realizada no ano passado, pela GAZETA, com o procurador do Trabalho Alpiniano do Prado, não mudaram em quase nada, segundo ele, mas a disposição das entidades em alterar esse perfil começa a surtir alguns efeitos. Ontem, em reunião na Delegacia Regional do Trabalho (DRT), com a participação de empresas do setor sucroalcooleiro, surgiram propostas de inserção e reabilitação que enxergam a qualificação da mão-de-obra como ponto de partida para abrir o mercado. A falta de qualificação é a principal dificuldade para inserção dos PPDs no mercado de trabalho, na opinião do gerente de Recursos Humanos da Usina Coruripe, Adalberto Oliveira. No ano passado a Usina chegou a anunciar a oferta de vagas nos jornais locais, mas não apareceu ninguém. A usina tem hoje, entre seus funcionários, 37 portadores de deficiência e trabalha com uma meta para inserir mais 72 até 2010, uma média de 10 a cada safra até 2007, e 14 por ano a partir daí. A primeira turma está sendo capacitada e já no início de maio estará passando por um curso básico de qualificação profissional dentro da própria empresa. ?Esse é o caminho que queremos abrir. Não basta ofertar as vagas, mas ir buscar e qualificar, como está fazendo a Usina Coruripe?, diz o Delegado Regional do Trabalho, Ricardo Coelho. O encontro de ontem foi organizado pelo Núcleo de Combate à Discriminação de Oportunidade de Trabalho que reúne a DRT, Ministério Público do Trabalho, Senai, Senac e Secretaria de Assistência e Inserção Social. A proposta é conscientizar os empregadores para a necessidade de cumprimento da Lei 8.212/90, que obriga empresas do setor público e privado a reservar um percentual de suas vagas para portadores de deficiência. Segundo Ricardo Coelho, o trabalho específico com as usinas se justifica por ser o maior empregador do Estado. Hoje e amanhã outros dois grupos de usinas participam do encontro, levando suas propostas. ?Primeiro queremos conscientizar, abrir caminhos, antes de penalizar pelo descumprimento da lei?, diz Ricardo. Gradativa Segundo ele o mesmo trabalho já foi feito com os supermercados, que passaram a empregar PPDs, embora não atingiram a cota mínima estabelecida em lei. O procurador do trabalho Alpiniano do Prado considerou aceitável a proposta de ocupação gradativa de vagas para PPDs apresentada pela usina Coruripe e disse que espera ser uma tendência das outras usinas. ?Os termos de compromisso e os prazos para cumprimento da lei estão vencidos, mas com a proposta de capacitação é possível flexibilizar, estabelecendo novos prazos, porque realmente temos problemas com a qualificação?, reconhece ele. (F.A.)