Cidades
Vinte mil maceioenses aguardam ajuda federal
FÁTIMA ALMEIDA A Secretaria Municipal de Ação Social tem cerca de 20 mil cadastros de pessoas que pediram a inclusão em programas sociais do governo e que ainda não foram remetidos para o governo federal. O acúmulo, segundo Dyary Farias Costa, assessora técnica da Prefeitura, responsável pelo setor, não depende de atraso na digitação, mas da liberação dos lotes pelo governo federal. Segundo ela, Alagoas tem 30 mil domicílios autorizados para os diversos programas de assistência a famílias carentes que envolvem renda (Peti, Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação, Agente Jovem e Auxílio Gás). O encaminhamento desses cadastros para a Caixa Econômica Federal vai acontecendo à medida que são liberados os lotes, na média de 5 mil domicílios por mês. ?Já encaminhamos 5 mil em fevereiro e 5 mil em março?, garante ela. Mas, por que os cadastros restantes não vão sendo digitados e ficam prontos para serem remetidos assim que solicitados? Segundo Dyary, porque até poucos dias a Secretaria não dispunha de infra-estrutura para um bom andamento desse trabalho. ?Nossos digitadores trabalhavam onde havia computador, em outras secretarias. Agora temos uma sala especial para esse fim, com dez computadores e 30 digitadores que trabalharão três turnos. Eles começam ainda esta semana?, anuncia ela. Vigília Na recepção da Secretaria, algumas pessoas aguardam informações sobre os cadastros feitos há meses. ?Tenho dois filhos de 7 e 10 anos, freqüentando a escola, não tenho emprego fixo e até hoje não recebi o Bolsa-Escola?, diz Glauciete Santos, moradora da Jatiúca. O cadastro foi feito, segundo ela, em 2002, no Centro Social Urbano. ?Já andei muito, enfrentei filas, fui no CEAGB, na Secretaria da Educação, na Caixa Econômica e não consigo informação sobre o benefício?, diz ela. Ao seu lado, as vizinhas Ana Maria dos Santos e Marinita Maria contam a mesma situação. Marinita cadastrou os netos que tinham 9, 14 e 15 anos de idade para o benefício do Bolsa-Escola. Dos dois mais velhos já perdeu o direito. Hoje eles têm 16 e 17 anos, mas ela continua esperando que saia para o neto mais novo, hoje com 11 anos. Dyary não sabe explicar por que algumas pessoas ficam de fora. ?Nós apenas digitamos os cadastros e encaminhamos para a Caixa Econômica. Não temos a competência de definir quem vai ou não receber. Às vezes acontece de uma mesma pessoa estar cadastrada em várias ocasiões ou em mais de um programa e o sistema acusar uma duplicidade. Aí não é liberado. Pode ser também que a pessoa não se enquadre nos requisitos do programa, mas isso não somos nós que definimos?, esclarece ela.