Cidades
Professores da Ufal se mobilizam para a greve
BLEINE OLIVEIRA A mobilização dos servidores públicos federais por reajuste salarial tende a crescer, com mais e mais categorias paralisando suas atividades. Já estão de braços cruzados os policiais federais, advogados e procuradores da União, e fiscais federais agropecuários. Professores e técnicos das universidades federais decidirão na primeira quinzena de abril se também vão fazer greve. A categoria faz hoje uma manifestação no campus universitário, para marcar o início da campanha salarial. Com caminhada e visitam aos departamentos de ensino, dirigentes da Associação dos Docentes (Adufal) e do Sindicato dos Trabalhadores (Sintufal) pretendem conscientizar professores e técnicos administrativos sobre a importância da greve geral. Os técnicos querem um plano de cargos e salários e reposição dos 127% de defasagem acumulados nos últimos nove anos. ?No lançamento nacional da campanha queremos mostrar aos trabalhadores que a hora é de mobilização?, disse a presidente do Sintufal, Yolanda Santana. Segundo ela, a Ufal tem 1.800 técnicos administrativos, cujos salários variam entre R$ 800 e R$ 1.700. Já o presidente da Adufal, professor Antônio Passos, explica que os professores estão encerrando o ano letivo de 2003, entrando em férias no mês de abril. Mas ele avalia que, se for aprovada a greve nacional, a categoria vai aderir ao movimento por melhores salários. ?Temos uma perda salarial histórica, que vem de 1995?, reclama Passos. A categoria reivindica 57% de reajuste emergencial, mais incorporação de gratificações, definição de 1º de maio como data-base e o cumprimento de acordos firmados em paralisações anteriores. Procuradores Já os advogados e procuradores da União decidiram manter a greve geral iniciada ontem, e que pode resultar em sérios prejuízos financeiros. Em Alagoas, por exemplo, a paralisação, segundo a Associação Nacional dos Procuradores Previdenciários (Anprev), gera um prejuízo diário de R$ 504 mil de condenação no Juizado Especial Federal. A representante da Anprev em Alagoas, Auzeneide Silva Wallraf, disse que a categoria rejeitou a proposta do governo. ?Queremos equiparação salarial imediata com os delegados da Polícia Federal e progressiva com o Ministério Público Federal?, afirma ela. A categoria exige que a equiparação com o MPF, que além dos vencimentos inclui as prerrogativas, seja concretizada até 2006. Dois procuradores de Alagoas seguiram para Brasília, onde se juntam aos demais integrantes do comando nacional de greve e iniciam articulações políticas visando obter apoio dos parlamentares federais. Outra categoria de servidor público federal que paralisou suas atividades, os fiscais federais agropecuários fizeram nova assembléia ontem à tarde, decidindo pela continuidade da greve. Eles acreditam que o governo apresentará uma proposta de reajuste que atenda às suas expectativas, pois a cada dia aumentam os prejuízos provocados pela falta de fiscalização nos produtos importados e exportados, com sério risco à balança comercial brasileira.