Covid
PANDEMIA SEGUE SEM CONTROLE EM ALAGOAS, ALERTAM INFECTOLOGISTAS
Casos confirmados de Covid-19 continuam crescendo no Estado, assim como a taxa de ocupação de leitos


Desde a semana passada, especialistas alertam para uma terceira onda da Covid no Brasil. O cenário seria ainda mais devastador, já que faltam equipes de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), insumos, leitos e vacinas, situação agravada pelas variantes detectadas nos estados e desrespeito às normas de prevenção. Para a infectologista Luciana Pacheco, Alagoas ainda não saiu da segunda onda, pois os casos confirmados da doença continuam crescendo, assim como a taxa de ocupação de leitos. Mas reforça que a terceira virá. "Creio que não saímos da segunda onda. O número de casos novos diários e internamentos são muito elevados ainda. Imagino que teremos uma terceira onda pela falta de vacinas e comportamento da população", afirma. A médica reforça que a pandemia segue sem controle. "Porque a vacinação está muito lenta e a população segue se expondo ao vírus sem os cuidados devidos. O Sars Cov 2 já provou sua capacidade de se mutar e criar variantes que têm se mostrado mais infectantes e menos afetadas pelas vacinas", avalia Luciana Pacheco. Para Rodrigo Cruz, médico clínico da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Memorial Arthur Ramos, "é impreciso no Brasil definir nossa atual situação epidemiológica com o termo 'onda' devido a heterogeneidade entre as regiões num país com proporções continentais, principalmente quando não houve um enfrentamento à epidemia com orientações técnicas uniformes partindo do alinhamento entre as esferas nacional, estadual e municipal, pois ainda temos uma média móvel diária de óbitos muito alta." "No momento estamos deixando a estabilidade observada nas últimas semanas e novamente o recrudescimento de novos casos, internamentos e óbitos em algumas localidades, então nos preparemos para reforçar as medidas sanitárias de prevenção com foco na adesão a vacinação e possibilidade de retornar restrições de mobilidade social", explica. De acordo com ele, o descontrole e o avanço da epidemia se deve a flexibilização da mobilidade social que não veio acompanhada do cumprimento das normas de prevenção por parte da população, medidas restritivas sem fiscalização realizadas de formas adaptadas ou incompletas, adoção de protocolos de tratamento sem comprovação científica que confunde a população levando ao risco de mais casos graves, a vacinação em ritmo extremamente lento, falta de uma unidade de discurso federativo sobre prevenção e a presença de novas variantes mais contagiosas do Sar-cov-2, vírus causador da Covid-19. Na avaliação do professor e pesquisador da Universidade Federal de Alagoas, Gabriel Bádue, que coordena o Observatório Alagoano de Políticas Públicas para Enfrentamento da Covid-19 (OAPPEC), Alagoas ainda não saiu da segunda onda pandêmica visto que a incidência semanal de casos permanece em um platô próximo dos 4,5 mil casos semanais há cerca de sete semanas. "Somado a isso, outros indicadores como casos suspeitos, proporção de testes confirmados para Covid-19 e ocupação hospitalar também permanecem altos, diferente do observado no período entre setembro e outubro de 2020, que apresentou índices bem mais baixos que caracterizaram uma situação de controle", afirma Gabriel Bádue.
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