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Sem-teto interditam BR-104 e cobram moradias

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FELIPE FARIAS Cerca de duzentos moradores da ?cidade de lona?, no Tabuleiro, bloquearam por sete horas um trecho da BR-104, em frente aos barracos. Os manifestantes, formados em sua maioria por mulheres e crianças, reivindicavam a construção de casas populares. Após a negociação mediada pelo Centro de Gerenciamento de Direitos Humanos (CGDH) da PM, ficou marcada uma reunião para a próxima segunda-feira com o prefeito Alberto Sexta-feira Mendonça. O bloqueio teve início por volta das 10h, quando os moradores da comunidade, também conhecida como favela do Eustáquio Gomes, atravessaram troncos de árvores na pista, à altura do quilômetro 95, em frente à favela, e queimaram pneus, impedindo a passagem de veículos. Segundo lideranças do movimento, a manifestação tinha o objetivo de reivindicar a construção de residências dignas no lugar dos barracos de lona, que já teria sido prometida pelo poder público. A chamada Cidade de Lona é formada por moradores oriundos de outras favelas do Tabuleiro e de cidades do interior. Promessas O grupo sem-teto garante que, há quase seis anos, recebe visitas e promessas de políticos, inclusive da prefeita (afastada) Kátia Born de que no local serão construídas casas de alvenaria, com direito à água e luz. Porém, até hoje, vivem como favelados, precisando montar gambiarras ? que põem em risco toda comunidade -, e apanhar água em chafariz improvisado. Apesar da interrupção do tráfego, os responsáveis pela manifestação disseram que o protesto tinha caráter pacífico. Guarnições da PM foram acionadas, mas a princípio acompanharam de longe a manifestação. Como se trata de uma BR, sob a jurisdição da Polícia Rodoviária Federal, os policiais rodoviários providenciaram um desvio por dentro do conjunto. Mesmo assim houve retenção no fluxo, no leito da pista. A rodovia só foi liberada por volta das 17h30, segundo o inspetor José Coelho Neto, da superintendência da PRF em Alagoas. O diretor do CGDH, coronel PM Adilson Bispo, informou que pelos termos da negociação feita com os manifestantes, ficou marcada uma reunião para a próxima segunda-feira, ao meio-dia, no auditório da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) de Maceió, com o prefeito em exercício, Alberto Sexta-feira Mendonça. A cidade de lona é um dos maiores bolsões de miséria da capital, habitada basicamente por desempregados, a maioria analfabeta. A favela é alvo de crítica pelas comunidades circunvizinhas, que denunciam o uso irregular de água e energia e o crescimento de violência na região, atribuído ao aumento desordenado de barracos.

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