Cidades
Estudantes fazem protesto para unificar carteiras
FÁTIMA ALMEIDA Estudantes secundaristas de Maceió bloquearam o trânsito na Avenida Fernandes Lima (em frente ao Ceagb), ontem pela manhã, para protestar contra o Decreto municipal nº 6.383 (de 16 de janeiro de 2004), que desvinculou a carteira de estudante do cartão de passe estudantil. Eles seguiram em passeata até a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) onde mais uma vez bloquearam parte da pista, enquanto uma comissão se reuniu com o superintendente Francisco Beltrão, com a mediação de representantes da Comissão de Direitos Humanos da Polícia Militar de Alagoas. O movimento foi organizado pela União Secundarista dos Estudantes de Alagoas (Useal) e pede a revogação do Decreto. ?Ele é lesivo aos estudantes porque reduz o número de créditos para o transporte nos coletivos urbanos e obriga o estudante a ter duas carteiras, uma para crédito da meia passagem e outra para a meia entrada em eventos culturais?, salientou a estudante Alexandra, uma das líderes do movimento. Eles dizem, ainda, que o Decreto suspende os créditos nas férias e fins de semana e acusam a Federação dos Grêmios Estudantis (Fegreal) e União dos Estudantes Secundaristas (Uesa), de serem coniventes com a medida. O presidente da Uesa, Marcos Calheiros, garantiu que o Decreto não representa nenhum prejuízo para os estudantes. ?Desde o decreto anterior, de 99, os estudantes secundaristas têm direito a 80 créditos por mês e isso permanece. Apenas os universitários têm 120 créditos?, salientou. Ele ressaltou, ainda, que a medida não restringe o uso da carteira nos feriados e fins de semana. Apenas a carteira que garante 100% de gratuidade (para estudantes do Ensino Fundamental - (1ª a 4ª séries) foi restrita ao horário escolar. ?Foi detectado o uso dessas carteiras de gratuidade de madrugada, em horários incompatíveis com a rotina de uma pessoa de 10 a 12 anos, o que é um forte indicativo de que pessoas adultas estavam se beneficiando dessa gratuidade. Então, ficou definido que o estudante com gratuidade, que pratica atividades fora do horário curricular, deve comprovar isso junto à Transpal para que seja liberado o uso da gratuidade nos horários necessários?, esclareceu Calheiros. Durante todo o tempo, a Uesa tentou contestar a legitimidade dos estudantes que foram às ruas, o que gerou momentos de tensão. Em frente ao Ceagb, um confronto entre grupos estudantis, resultou na expulsão dos representantes da Uesa do local, pelos manifestantes, e na prisão da estudante Elizabeth Araújo, da Useal, levada ao Ciapc sob a acusação de agressão, mas liberada em seguida. Durante a reunião na SMTT, o confronto entre as entidades acirrou os ânimos em vários momentos, o que levou o superintendente Francisco Beltrão a remeter a questão para um fórum neutro. Ele vai marcar uma reunião com o Ministério Público onde serão discutidas as questões relativas ao decreto e à representação estudantil no Conselho Municipal de Transportes, cuja vaga nunca foi ocupada por falta de entendimento entre as entidades.