Cidades
Perfil provinciano favorece o lazer ao ar livre
As tardes ensolaradas de Maceió reúnem amigos também no Pontal da Barra, uma comunidade de artesãos onde se faz pratos deliciosos tendo como base peixes, camarões, siris, caranguejos, maçunins, sururu e outros pescados. Para lá convergem grupos interessados em momentos de descontração e informalidade, logo depois do expediente. ?Ao ouvir a expressão happy hour a gente se anima e fica com a boca cheia d?água só de pensar na cerveja gelada?, diz a funcionária pública Vera Lúcia Casado. Ela faz parte de um grupo que, na segunda e última sextas-feiras de cada mês vai ao Pontal bater papo, se divertir e estreitar amizades. Para Vera Lúcia, é importante sair um pouco da rotina, de uma forma divertida e que vem gerando uma relação mais cordial entre os colegas. ?É como uma terapia onde a gente pode desabafar tanto sobre os problemas do trabalho quanto de casa?, acrescenta. A idéia dos que se reúnem é confraternizar, mas esses encontros de fim de tarde servem também para discutir negócios, pensar em novos projetos, trocar idéias e experiências e até, quem sabe, para gerar paixões. ?Já vimos surgir paixões que resultaram em casamento, como também assistimos ao fim de algumas relações?, ilustra Carlito Lima. O arquiteto Pedro Cabral, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é um dos apreciadores das tardes ensolaradas que fazem de Maceió uma das cidades mais agradáveis do País, especialmente para quem busca uma vida menos estressante, sem a força da engrenagem chamada trabalho. Contemplação Com um perfil quase provinciano, a capital induz naturalmente seus habitantes à contemplação. ?Temos uma escala urbana que nos permite contemplar a natureza. Não vivemos os conflitos dos grandes centros?, diz o arquiteto, lembrando que nossa cidade é desenhada por fontes naturais como as lagoas e um mar esplêndido. Apesar dessa posição privilegiada, os maceioenses observam pouco a natureza que os cerca. Segundo Pedro Cabral, os cidadãos maceioenses poderiam explorar mais as possibilidades de lazer que esse provincianismo oferece. ?Apesar do aspecto estético, que não é dos mais agradáveis, vejo beleza nos carrinhos de churrasco, em torno dos quais muita gente se reúne?, afirma ele, para mostrar que é preciso aproveitar mais os espaços urbanos. Mas esse aproveitamento deve ter uma perspectiva mais ampla, na qual se busque principalmente a qualidade. Praças bem cuidadas, onde se possa conversar, ler jornais, calçadões que comportem crianças andando de bicicleta, patins. Urbanidade é isso! Mais natureza e menos culto ao corpo é o conselho de Pedro Cabral para quem, por exemplo, vai caminhar na praia. Ele aposta que muitos não apreciam o pôr-do-sol, mesmo estando na orla todos os dias. Mas, deixando de lado essa questão e voltando às confrarias, vale citar aqui os encontros de sábado à tarde, que reúnem boêmios, intelectuais, profissionais liberais, cantores, músicos e quem mais queira, no Bar da Zefinha, no Jaraguá. Dos 18 aos 80 anos, para lá convergem os mais diversos estilos. É uma referência de Pedro Cabral e de Sávio Almeida, habituais freqüentadores. Há ainda a Confraria da Praça Rayol, que se reúne também aos sábados, a partir do meio-dia. Quem quer ver o sol se por, bater papo, beber cerveja, ouvir e contar histórias, pode procurar que vai achar!