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Jovens em situa��o de risco viram “celebridades”

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FERNANDA MEDEIROS ?Ei... Estou Aqui!?. Não se trata somente de um apelo, mas o nome da exposição de obras de artes plásticas de 19 jovens atendidos pelo Complexo de Reabilitação Humberto Mendes (CRM), que vai até o próximo dia 15 de abril, no salão nobre Memorial Pontes de Miranda, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT/19a Região). São trabalhos de pinturas em telas, criados pelos próprios meninos que vivem em situação de risco social, com idade entre 14 a 18 anos. A exposição é uma iniciativa do Grupo Teatral Criart, comandado pelo curador Francisco Malaquias Santos, um dos coordenadores de ensino do CRM. ?Começamos no ano 2000, com o grupo e já estreamos várias peças. Depois, percebemos que poderíamos extravasar todo o talento desses menores e decidimos pelas artes plásticas?, explicou Malaquias. No segmento das artes plásticas, os garotos já fizeram uma primeira exposição no Teatro Linda Mascarenhas. O objetivo da exposição, de acordo com Malaquias, não é somente tentar formar talentos nas artes plásticas e despertar vocações, mas torná-los cidadãos conscientes e capazes de interagirem com a sociedade. ?Queremos fazer uma leitura sociocultural subjetiva do adolescente, ou seja, uma leitura do interior de cada um, através do que eles expressam nas telas?, observou. As obras retratam o sentimento de cada um dos adolescentes, que vão desde o amor e a amizade até o arrependimento. Também são retratados o combate às drogas, a independência familiar, esportes, como as Olimpíadas e o futebol, bem como as festas tradicionais, como o carnaval e as festas juninas. Todos os expositores receberam certificado. Uelinton da Silva, 15, aluno da 6a série, afirmou que nunca imaginou na vida que pudesse pintar um quadro. ?Me senti orgulhoso, e o que é melhor: ver minhas obras sendo mostradas em uma exposição?, comentou. Para Uelinton (o nome é escrito desta maneira mesmo), seus temas preferidos nas telas são a natureza, o carnaval e as demais festas tradicionais brasileiras. O jovem artista revelou, ainda, que já pintou cinco quadros e espera poder ganhar dinheiro com isso. ?Quero uma exposição só minha e ficar famoso, ser uma celebridade no ramo das artes plásticas?, emendou. Em uma de suas telas, Ueliton mostra o carnaval, dando características especiais ao evento em sua modalidade de rua, com a presença dos blocos e das bandas. Tudo sendo observado através de uma máscara. Em outra tela, uma casa simples e colorida está à mostra, revelando a vontade do autor em ter sua independência familiar. ?É a minha casa?, afirmou, categoricamente, o jovem Carlos Roberto, 16, aluno da 1a série. ?Essa pintura retrata o sonho que eu tenho de ter a minha casa própria. Está pintada nas cores azul, verde e branca porque cada uma tem um significado. O azul, representa o céu; o verde, a esperança que tenho de realizar esse sonho; e o branco significa a paz que eu quero dentro de mim?, justificou o garoto, com um largo sorriso. ?É um trabalho de inclusão social que visa integrar esses jovens à sociedade, levantando a auto-estima de cada um?, considera a coordenadora do Memorial Pontes de Miranda, Gisela Pfau. Segundo ela, trazer esses menores para dentro de uma instituição como o Tribunal Regional do Trabalho faz com que eles se sintam valorizados. ?É uma grande oportunidade dada a eles. É o mérito deles?, destacou. Oportunidades As telas estão sendo vendidas, ao preço de R$ 45, cada uma, e o dinheiro arrecadado será destinado à compra de material de pintura e outros adereços utilizados pelo grupo Criart. Feliz da vida, o menino Cícero Ferreira, 15, aluno da 5a série, conseguiu comprador para o seu quadro, intitulado Fogo, pintado justamente com uma mistura de cores fortes para retratar o elemento que dá nome à obra. ?Estou muito feliz. Sempre sonhei em ser artista plástico e este é um começo muito bom?, frisou. Para o secretário-executivo de Inserção e Assistência Social, Ricardo Santa Rita, o projeto desenvolvido no Complexo Humberto Mendes serve para mostrar à sociedade que os garotos têm perspectivas de vida. ?Cria a boa oportunidade para eles demonstrarem as aptidões que possuem, voltadas para a arte. É, ainda, uma forma de descobrir talentos, resgatar a cidadania, fazer com que eles despertem para uma atividade produtiva que pode vir a decidir a vida de cada um?, destacou, acrescentando que a secretaria também desenvolve atividades esportivas com os garotos daquela instituição.

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