Cidades
Programas sociais n�o resgatam cidadania
Para a professora do Departamento de Serviço Social da Ufal, Terezinha Falcão Freire, a importância da adoção do Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ), recentemente divulgado pela Unesco, está em chamar a atenção das autoridades para a necessidade de planejar as políticas públicas voltadas para este segmento. ?Não se pode enfrentar esses problemas apenas com ações isoladas e programas sociais. Programas sociais de governo não resgatam a cidadania; o que resgata a cidadania é a condição da pessoa de se auto-sustentar?, ensina. Terezinha coordenou a pesquisa sobre exclusão social em Alagoas realizada entre os anos de 97 e 99 pelo Núcleo de Temático de Assistência Social (Nutas) da Ufal, que chegou a conclusões parecidas com as do recente levantamento do organismo da ONU e do ?Atlas da Exclusão Social no Brasil?, editado ano passado; com uma diferença: Posteriormente, o governo apresentou um outro levantamento, contestando o do Nutas e que apontou melhoria dos indicadores de exclusão social em Alagoas. A pesquisadora disse que não quer polemizar sobre as conclusões contrárias, mas contesta que a exclusão tenha reduzido no Estado. E usa como argumento a imersão no mercado de trabalho, principal critério para ?medir? a evolução do problema, e que continua praticamente inalterada. Terezinha Falcão é taxativa ao se posicionar contra a tendência de adotar os programas sociais em larga escala como principal ? e praticamente única ? política pública no combate à exclusão. Primeiro porque, segundo ela, eles acabam minando a auto-estima dos beneficiários, que ainda ficam à mercê de questões como haver ou não dinheiro para pagar as bolsas e da boa vontade dos gestores. Depois porque o próprio valor é considerado insuficiente. ?Tem-se uma concepção minimalista do pobre. Ou seja: se ele não morrer de fome, já estaria muito bom. É pensar o pobre de uma forma pobre?, teoriza. A pesquisadora da Ufal adverte ainda que enfrentar a exclusão social é uma questão de sobrevivência da sociedade: ?O jovem sem perspectivas acaba engrossando as fileiras da violência?.