Cidades
640 GESTANTES FORAM INFECTADAS E 19 MORRERAM NO ESTADO
Complicações causadas pela Covid-19 em mulheres grávidas preocupa médicos e pesquisadores em todo o País
Um grupo vulnerável às complicações causadas pela Covid-19 preocupa médicos e pesquisadores: as gestantes. As mortes maternas causadas pela doença aumentaram nos últimos meses e já tornaram o Brasil um dos países onde a atenção deve ser redobrada.
Em Alagoas, 640 gestantes foram infectadas pelo novo coronavírus, que provocou 19 mortes. Os dados sobre casos confirmados foram repassados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), com base na plataforma e-SUS Notifica, do Ministério da Saúde. Já o número de óbitos consta no painel do Observatório Obstétrico Brasileiro.
No Brasil, Alagoas tem mais infectadas que o Acre, Espírito Santo e Roraima e apenas registrou mais óbitos que o Acre, Amapá e Sergipe.
“São 455 óbitos em 2020 e 1.007 óbitos em 2021. Podemos observar que 21.9% dos óbitos não foram admitidos na UTI em 2020 e essa porcentagem é de 21.5% em 2021”, informa trecho do boletim do observatório sobre o avanço da Covid entre gestantes, produzido com base em dados do Ministério da Saúde.
Ainda sobre os óbitos, o painel do Observatório Obstétrico Brasileiro mostra que a média de óbitos semanal em 2020 é 10.11 por semana (455 óbitos em 2020 por 45 semanas epidemiológicas). Em 2021, a média por semana é 41.96 por semana (1007 óbitos em 2021 por 24 semanas epidemiológicas). “Logo, há um aumento de 315% na média semanal de 2021 quando comparado com a média de óbitos semanal de 2020”, analisa painel.
Boletim extraordinário da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) publicado no último dia 25 mostra que desde o início da pandemia a mortalidade materna tem sido monitorada no Brasil, que é o país que detém o maior número de mortes nesse grupo devido à Covid-19. “Entre mulheres grávidas e puérperas, a taxa de mortalidade atinge a cifra de 7,2% - quase três vezes maior do que a atual taxa de mortalidade por Covid-19, de 2,8%”, informa o boletim.
Segundo os pesquisadores da FioCruz, a situação agrava o problema crítico de mortalidade materna que o Brasil vive há anos, preocupação que foi crescendo à medida que a Covid-19 passou a apresentar condições que escapavam à regra de uma síndrome respiratória clássica, mas com efeito sistêmico. “Além do risco devido a essa plausibilidade biológica a mortalidade materna é fortemente influenciada pelo acesso e disponibilidade de recursos de cuidado para o pré-natal, parto e puerpério”, destacam.
“O estudo aponta que, em 2020, foram relatadas no País 560 mortes pela Covid-19 em mulheres grávidas e puérperas. Em 2021, até o fechamento desta análise, as mortes maternas já superaram o número relatado no ano anterior: foram registradas 1.156 mortes, mais que o dobro do que em 2020. A maioria delas, de acordo com a análise, ocorre durante a gestação e não no puerpério”, aponta análise da FioCruz.
Em nota enviada à Gazeta, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que desde abril do ano passado, conforme determinação do Ministério da Saúde (MS), as gestantes e puérperas (mães de recém-nascidos com até 45 dias de vida), estão oficialmente inclusas no grupo de risco da Covid-19, uma vez que elas estão entre as mais vulneráveis aos efeitos do vírus, assim como os portadores de comorbidades. Segundo o Protocolo de Assistência aos Pacientes com Covid-19, se a gestante testar positivo para a doença estiver em trabalho de parto e for de alto risco, será atendida na Maternidade Escola Santa Mônica (MESM) ou na Maternidade do Hospital Universitário (HU), que são as duas unidades credenciadas pelo Ministério da Saúde para atender gestantes de alto risco em Alagoas. “Se a gestante for de baixo risco, será atendida nas Maternidades Santo Antônio, Nossa Senhora da Guia, Hospital da Mulher (funcionando provisoriamente na Maternidade Nossa Senhora de Fátima) ou na Maternidade do Hospital Veredas. Se, no entanto, estiver com Covid-19, mas, não estiver em trabalho de parto, será encaminhada para qualquer unidade que atenda pacientes com Covid-19”, informa a Sesau.