Cidades
Alagoas n�o far� mobiliza��o para cobrar a reabertura dos bingos
BLEINE OLIVEIRA Alagoanos desempregados de casas de bingo não vão participar da manifestação que a Força Sindical promove hoje, em todos os estados brasileiros, cobrando do governo Lula a reabertura dessa atividade e medidas de combate ao desemprego. Reunidos no Palácio do Trabalhador, dirigentes da entidade e do Sindicato dos Empregados no Comércio de Hotelaria e Similares decidiram não realizar a manifestação, avaliando que seria um fracasso. ?Não temos como mobilizar as mais de mil pessoas que dependiam dessa atividade?, diz o paulista Paulo Henrique Lisboa, que trabalhava como chefe de mesa num dos três bingos de Maceió, e que participou da reunião. ?A Força Sindical quer mobilizar a sociedade para discutir a política econômica do governo, que agrava o quadro de desemprego no País?, disse o presidente da central sindical em Alagoas, Gimas Cassimiro Costa. Segundo ele, a Força defende a reabertura dos bingos e por isso colocou toda sua estrutura à disposição dos trabalhadores para essa manifestação. O presidente do Sindicato dos Empregados, José Renaldo Correa, criticou a decisão do presidente Lula que, alegando que a atividade é meio para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, impediu o funcionamento dos bingos. O único resultado da medida, disse Renaldo, é o desemprego para milhares de trabalhadores. ?Entendemos que possa haver pessoas agindo de forma desonesta ou ilegal, mas o governo não pode generalizar. O correto seria criar mecanismos de fiscalização, para que os bingos funcionem de forma legal?, reclamou o sindicalista. Ele afirmou ainda que, em Maceió, os empresários de bingo respeitavam a legislação trabalhista. ?O governo sempre recebeu os impostos pela atividade e pelos empregos que ela gera?, argumentou o dirigente sindical. Sem o emprego na casa de bingo, que lhe rendia cerca de R$ 1.200 mensais, Paulo Henrique teme enfrentar dificuldades para conseguir nova colocação no mercado de trabalho. Torneiro mecânico, ele e a mulher tinham o bingo como única fonte de renda. ?Estamos vivendo da indenização, que não vai durar muito?, lamenta Paulo Henrique, afirmando que os três bingos (Ponta Verde, Central e Português) que funcionavam em Maceió geravam 230 empregos diretos e cerca de 700 indiretos. Os trabalhadores estão negociando as indenizações na Procuradoria Regional do Trabalho.