Cidades
MAIS DE 300 PESSOAS TOMARAM TRÊS DOSES DA VACINA CONTRA COVID EM AL
Segundo Ufal, 94 “doses extras” foram aplicadas em Maceió; as demais, em mais de 60 municípios
Levantamento feito pelo Laboratório de Estatística e Ciência dos Dados, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), aponta que um total de 304 pessoas tomaram três doses da vacina contra a Covid-19, o que deve ser investigado, tendo em vista que só há no mercado imunizantes com dose única ou dose dupla. Do total de irregularidades identificado pelos pesquisadores, 94 doses “extras” teriam sido aplicadas na capital alagoana. As demais, estariam espalhadas em outros 65 municípios do estado, entre eles, Arapiraca.
“Baixamos todos os dados de aplicações que estão disponíveis no site do Ministério da Saúde, são dados abertos, tratamos essas informações e realizamos esse processamento, para oferecer uma ideia do que está ocorrendo em Alagoas em relação à terceira dose. Em todo o País, são mais de 100 milhões de aplicações da vacina e, dentro desse grupo, temos pouco menos de 30 mil pessoas com essas aplicações com fortes suspeitas. Em Alagoas, ocorreram 304 aplicações de terceiras doses. Fato que merece ser analisado com mais cuidado”, afirma o professor Krerley Oliveira, coordenador do laboratório. Segundo ele, o processo de vacinação é muito complexo e ocorre em condições muito variadas. Os motivos que levaram a esses indícios de irregularidades também são muito variáveis e devem ser avaliados por cada secretaria de saúde e pelos órgãos de fiscalização. “Podem ter ocorrido várias situações. Por exemplo, uma pessoa pode ter aproveitado um momento em que o sistema eletrônico não estava funcionando bem para tomar uma terceira dose de uma vacina à qual ela não havia tido acesso ainda”, pontuou.
Ainda de acordo com o professor, em cerca de 70% dos casos, as primeiras e segundas doses correspondem à Coronavac e perto de 60% das terceiras doses correspondem à AstraZeneca.
“Isso é muito prejudicial ao processo inteiro, uma vez que nós temos uma cobertura vacinal muito pequena, com muita gente precisando tomar a primeira dose ainda. E constatar que existem pessoas tomando três ou mais doses é lamentável e merece ser coibido com toda a força que o estado tem”, destaca o professor Krerley.
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Por meio de nota, a Secretaria de Saúde de Maceió informou que está investigando os casos, com o objetivo de “apurar a suposta existência de usuários que teriam sido vacinados, em Maceió, com três doses imunizantes contra a Covid-19”. Já a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) esclarece que, se houve a irregularidade, vai dialogar com os municípios que são os responsáveis pela realização da vacinação e o registro das respectivas doses aplicadas.
PARA COSEMS, DADOS SÃO INCONSISTENTES
O consultor técnico do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems), Sival Clemente, rebateu levantamento dos pesquisadores. “Acredito que houve falha humana na hora de abastecer o sistema de vacinação. Há muitas atividades para as equipes. Não acredito que tomaram três doses da vacina. Se isso tivesse ocorrido, isso teria aparecido. A gente não pode afirmar que mais de 300 pessoas em Alagoas tomaram uma terceira dose, porque a gente tem que ver as inconsistências do sistema, as falhas que o sistema possa ter e as falhas que podem ocorrer no registro na hora da alimentação do sistema”, declara Sival Clemente.
O Ministério da Saúde tem dois sistemas com informações sobre vacinas, segundo o consultor, o que pode ter levado à duplicidade de dados sobre pessoas que receberam a dose. “É preciso averiguar essa situação, porque pode ter havido algum tipo de situação que gerou o aumento do número de doses que as pessoas receberam da mesma forma como ocorreu com as vacinas que disseram estar vencidas e quando a gente foi verificar tinha ocorrido erro no registro. A dose foi registrada após a validade da vacina, mas aplicada antes”, afirma. O consultor do Cosems disse que a entidade vai discutir a situação levantada pelos pesquisadores com a Sesau e ver, junto aos municípios, se houve algum problema. Atualmente, no mercado, há imunizantes com apenas dose única ou dose dupla.