Cidades
EM ÚLTIMO ENTRE OS ESTADOS DO NE, ALAGOAS JÁ VACINOU 32% DA POPULAÇÃO
Município de Pariconha, no Sertão, tem o maior percentual de imunização completa de seus moradores
A importância do processo de vacinação para a contenção de doenças infectocontagiosas é inegável na história da epidemiologia e, no atual contexto da Pandemia de Covid-19, o processo de imunização já tem mostrado avanços em direção ao controle da emergência sanitária. O Observatório da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) indicou, ainda no início desta semana, que, aliado às medida de de restrição, o Estado teve uma redução de 5% em novos casos e 9% menos óbitos em relação à ultima semana do mês de junho.
Mesmo assim, Alagoas figura em nono e último do nordeste no ranking da vacinação, com 32% da população total, estimada pelo IBGE, tendo recebido ao menos uma dose de imunizante, e 10% totalmente imunizada contra o coronavírus. O primeiro colocado, o estado do Ceará, já conta com 37% de pessoas vacinadas com ao menos uma dose. Os dados são do Mapa da vacinação contra Covid-19 no Brasil, atualizado pelo portal G1, com dados do consórcio entre veículos da imprensa. Em todo o País, os dados variam levemente entre diferentes fontes, devido a atrasos no registro das informações. Para a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), no entanto, os números são satisfatórios e seguem de acordo com número de imunizantes recebidos. “Estamos trabalhando arduamente para que todos os municípios recebam os imunobiológicos em tempo oportuno e iniciem a vacinação o mais rápido possível. É um sistema complexo, que envolve muitas etapas e, com o avanço na distribuição de doses, a probabilidade é que a quantidade de vacinas que chegue aos Estados seja cada vez maior e, consequentemente aos municípios, abrangendo assim toda a população”, comenta o secretário de saúde do estado, Alexandre Ayres.
MUNICÍPIOS
Tendo em vista os 102 municípios alagoanos, apesar dos altos números totais da capital, comparando a população total estimada com os números da vacinação, é Santa Luzia do Norte, na região metropolitana de Maceió, que proporcionalmente mais vacinou no Estado, com 48% da população imunizada com ao menos uma dose. Jacaré dos Homens e Pariconha vêm em seguida, com 47% e 45%, respectivamente, tendo em vista os registros nacionais disponíveis no painel Covid-19 Vacinação, do Ministério da Saúde (MS). Além de terceira colocada entre os municípios que mais vacinaram, a cidade de Pariconha, no extremo Sertão do estado, ainda figura em outra marca. Tendo em vista o percentual da população com a imunização completa, tomando segunda dose ou dose única, o município passa a frente e alcança o primeiro lugar no estado, com 29% da população tendo completado o processo. Em últimos, Japaratinga é o município que menos vacinou no estado, com apenas 19% de pessoas recebendo a primeira dose, e Campo Alegre é quem menos completou a imunização, tendo apenas 6% da população retornado para tomar a segunda dose de imunizante.
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Ainda segundo o painel do MS.Quando aos tipos de vacina no estado, 47,9% das vacinas aplicadas até o momento foram da Astrazeneca, 38% da Coronavac, 11,9% da Pfizer e 2,2% foram a de dose única, Janssen.
Apesar dos atrasos na aplicação da segunda dose registradas ainda em maio desse anos, referentes aos insumos na produção da vacina coronavac, com menor intervalo entre as duas doses até o momento, a Sesau salienta que a situação já voltou a normalidade. “Atualmente não há atrasos. Estamos recebendo CoronaVac, inclusive, com retorno para aplicação das primeiras doses”, destacou o secretário estadual.
NÚMEROS DA CAPITAL
Entre os demais municípios do estado, a grande Maceió fica, proporcionalmente, em 9º lugar com o maior numero de pessoas vacinadas, 38% da população, e é o 14º entre os municípios que mais completam a imunização, com 15% da população tendo retornado para segunda dose, ou tomado dose única, ainda dados do MS.
Já segundo da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), das 559,079 doses aplicadas na capital, 410,697 foram para a primeira dose, enquanto 148,382 foram aplicadas como reforço. O painel Vacina Maceió, disponibilizado pela prefeitura, não diferencia as aplicações referentes à Vacina Janssen, com apenas uma dose.
IMPORTÂNCIA DA IMUNIZAÇÃO
Com quatro diferentes imunizantes em aplicação no país, muito tem se questionado sobre a eficácia de cada um deles, ou mesmo sobre a necessidade da vacinação para a contenção da pandemia. Contudo, segundo os especialistas, o processo ainda é o mais seguro e eficaz no controle de doenças.
“As vacinas têm a capacidade de provocar resposta imunológica protetora contra determinado agente infeccioso, sem causar a doença relacionada ao agente em questão. Elas já evitaram milhões de mortes e sequelas pelo mundo afora. Os benefícios da vacinação no mundo são incalculáveis”, destaca Dr. Fernando Maia, infectologista, docente da Ufal e da Unsisal. No país, várias campanhas de vacinação são realizadas periodicamente. Entre elas, a vacina contra a gripe, por exemplo, confere uma proteção em cerca de 60 a 70% dos casos, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim). Ou seja, de cada dez pessoas imunizadas na campanha nacional de vacinação, cerca de três ou quatro ainda podem sofrer com a invasão do vírus influenza. Mesmo assim, o método segue sendo o mais indicado para se proteger da doença. Com 50% à 95% de eficácia geral, sem levar em conta as variações para diferentes populações e organismos, os imunizantes disponíveis contra a Covid-19 ao redor do mundo poderão também passar a fazer parte dos calendários de vacinação. “Algumas vacinas precisam ser repetidas, por mutações do agente infeccioso, como é a gripe, e provavelmente será com o Covid”, afirma Dr. Fernando.
Quanto a velocidade da aplicação, o infectologista se mantém otimista e acredita estarmos em uma progressão positiva. “O processo de vacinação nos Estados depende do envio das doses da vacina pelo governo federal. No momento, estamos com uma velocidade boa. Creio que até o fim do ano atingiremos 80% da população vacinada”, conclui.