Cidades
PROFISSIONAIS DE SAÚDE TEMEM VARIANTES E NOVA ONDA DA PANDEMIA
Sobrecarregada, categoria ainda se sente despreparada para lidar com a doença
Um ano e quatro meses após a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar a pandemia de Covid-19, estudo publicado este mês pela Fundação Getúlio Vargas mostra que profissionais de saúde no Brasil ainda se sentem despreparados para lidar com a doença.
“Os médicos alagoanos se sentem um pouco mais confiantes na lida com o quadro”. É o que diz o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Marcos Holanda, avaliando que nesse período relativamente curto, o aprendizado tem sido intenso quanto um curso dos mais puxados, uma verdadeira imersão do estudo da doença, observando as diversas reações nos pacientes e a resposta de cada um aos medicamentos.
“Acredito que vencemos a pior fase, quando não se sabia nada a respeito, em nível mundial. Fomos heróis porque foi possível salvar mais vidas do que perder. Sentimos muito pelo alto número de óbitos, mas também nos conforta os muitos casos exitosos”, pondera. Segundo Renné Costa, presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Alagoas (Coren-AL), nenhum profissional estaria pronto para enfrentar um desafio grande como a pandemia, em um tempo curto de experiência. “O mundo mudou por completo seu cotidiano há pouco mais de ano, mas também a tecnologia em saúde nunca evoluiu tão rapidamente como nesse período. O exemplo disso é a elaboração de uma vacina em um tempo recorde, que ainda não tem estudo concreto sobre a duração da sua eficácia”, afirma. Segundo ele, os profissionais de saúde já aprenderam muito ao longo desse período, mas também possuem inseguranças pela incerteza da chegada de novas variantes e o medo da pandemia continuar por muito tempo.
É NATURAL SE SENTIR DESPREPARADO
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Para o pneumologista Artur Gomes Neto, diretor médico da Santa Casa de Maceió, é natural que existam profissionais recém-formados sem experiência de tratar pacientes graves, sobretudo de UTI e que se sintam despreparados. Mas que os médicos mais experientes, apesar de ser uma doença nova de comportamento diferente, têm tido sucesso e aprendido com a evolução da doença. “E certamente hoje em dia nessa segunda fase da doença com o que a gente aprendeu a gente conseguiu fazer muito mais pelos pacientes e conseguimos identificar a evolução da doença e o que fazer em cada fase da evolução da melhor forma do que no ano passado”, declara Artur Gomes. Na avaliação dele, é óbvio que com a necessidade de vários médicos e de muitos leitos, gera uma certa insegurança em profissionais que entraram recentemente no mercado para tratar pacientes graves, sobretudo com Covid.
ADAPTAÇÃO À NOVA REALIDADE
Segundo o presidente do Sinmed mesmo com receio e insegurança, os médicos enfrentaram a situação dando o melhor. “Nos adaptamos à nova realidade. Sobrevivemos, estamos aprendendo a cada dia. O desafio continua. Lamentamos por todas as famílias que perderam seus entes queridos. Nós também perdemos parentes e amigos. Muitos colegas médicos faleceram. Outros adoeceram, mas venceram a doença e voltaram aos hospitais para cuidar dos pacientes, se expondo novamente ao contágio. Cumprimos nossa missão como manda o ofício”, analisa.
De acordo com o representante dos médicos, o receio com as variantes existe, mas a disposição da classe médica é a mesma. “Vamos seguir firmes, no cuidado e na dedicação, dando o nosso melhor. Isso, apesar de não haver remuneração à altura, ainda. Essa é outra luta que estamos travando em paralelo, sem nenhuma interferência na qualidade do atendimento, afinal, os pacientes não têm culpa de nada”, concluiu, lembrando da batalha pela implantação do plano de cargos e carreira, bem como pelo aumento da remuneração para o quadro efetivo, incluindo os que vão entrar a partir do concurso.
VISIBILIDADE NA PANDEMIA
A reportagem pergunta a Reneé Costa, do Coren, qual a opinião dele sobre a evolução no trabalho dos profissionais durante o combate ao vírus. “A pandemia fez os profissionais da saúde relembrarem cuidados básicos, como o uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a importância de lavar bem as mãos. Além da questão social, já que os profissionais de enfermagem tiveram destaque no combate à pandemia, fazendo com que a população enxergue a importância do nosso trabalho e em contrapartida a categoria ganhou a visibilidade merecida”, avalia. Na avaliação do presidente do Coren, até que seja decretado o fim da pandemia não podemos relaxar. “Não aglomerar, usar álcool, utilizar máscaras. Esses cuidados devem ser sempre considerados e nunca menosprezados, porque nós, definitivamente, não sabemos em que etapa dessa pandemia estamos se no meio ou no fim”, finaliza.