Cidades
Morte de Paulo Bandeira ter� reconstitui��o
CÉLIO GOMES O juiz substituto de Satuba, Sérgio Persiano, determinou ontem a reconstituição do assassinato do professor Paulo Henrique Bandeira, crime ocorrido em junho do ano passado. O professor foi executado a tiros e teve o corpo carbonizado dentro do carro. O crime aconteceu logo após o professor fazer denúncias de desvio de verbas do Fundef, o fundo da educação, em Satuba. As denúncias do professor tinham como alvo o prefeito do município, Adalberon de Moraes Barros. As investigações da Polícia Civil, presididas pelo delegado Cícero Lima, concluíram que o prefeito foi o mandante do assassinato. Por isso, ele foi indiciado como autor intelectual. Três assessores seus foram indiciados como autores materiais. Os quatro estão presos no Baldomero Cavalcanti, embora o prefeito tenha sido levado ao presídio por outro crime atribuído a ele: o assassinato do assessor Jeams Alves dos Santos, em dezembro de 2002. Ofício O juiz Persiano mandou ofício para a Secretaria de Defesa Social determinando a reconstituição do crime, atendendo pedido do advogado de defesa de Adalberon, Welton Roberto. Até ontem à noite, a secretaria não havia se pronunciado sobre o assunto. O delegado Cícero Lima, que indiciou Adalberon como mandante, ficou sabendo da decisão do juiz pela GAZETA e considerou estranha: ?Nós fizemos o trabalho correto e o Ministério Público aprovou nossas conclusões, tanto que o inquérito foi para a Justiça com os suspeitos indiciados e presos. Não estou entendendo essa decisão do juiz, mas, fazer o quê?. DNA Além da reconstituição, o juiz Persiano já havia acatado o pedido da defesa para um novo exame de DNA no corpo do professor, encontrado no canavial de Satuba. Um primeiro exame feito pela Universidade Federal de Alagoas confirmou que o cadáver era mesmo do professor Bandeira. Na próxima segunda-feira, parentes de Bandeira vão recolher amostras de sangue para a realização do exame. O advogado Welton Roberto disse que a reconstituição será importante para mostrar que ?há falhas no inquérito?. Para ele, ?as provas apresentadas pela polícia são insuficientes?. Dias antes de ser assassinado, Bandeira gravou uma fita e escreveu uma longa carta, onde narra uma discussão que teria havido entre ele e Adalberon, no gabinete da prefeitura. No dossiê, ele afirma que temia por sua vida e apontava Adalberon como único interessado em sua eliminação.