Consumo
APÓS FLEXIBILIZAÇÃO, LOJISTAS DE MACEIÓ APOSTAM EM PROMOÇÃO
Comerciantes da capital alagoana têm apostado em alongar promoções e subir percentuais de desconto para atrair a clientela
Após as mudanças do último decreto estadual, que flexibilizou horários e dias de funcionamento dos estabelecimentos comerciais, os lojistas da capital já dizem sentir uma melhora no fluxo de clientes, e, consequentemente, no número de vendas. No entanto, com uma população ainda receosa por causa da pandemia, os diferentes setores do comércio apostam em saídas para fomentar as vendas e atrair os clientes, mesmo ainda com uma evolução pequena.
“Já deu pra pagar férias, mercadorias, folha semanal, coisa que não estávamos conseguindo”, afirma Jorge Luiz dos Santos, gerente de uma loja de calçados no Centro de Maceió. Segundo o comerciante, os impactos devidos a pandemia foram visíveis na vizinhança. “Só nessa área, umas cinco lojas fecharam. Aqui, tivemos três demissões. Não há como mensurar as perdas nas vendas”, contabiliza. Segundo dados do Mapa de Empresas do Governo Federal, entre 2020 e 2021 (até junho), Alagoas teve o fechamento de 15.201 empresas. A saída encontrada, na maioria dos setores, foi apostar em meios de chamar a atenção dos clientes. O aumento nos percentuais de desconto e maior extensão de períodos de promoções especiais, por exemplo, segundo os comerciantes, deram resultado. “É visível nos anúncios daqui. 90% das lojas estão com promoções, descontos que eram até de 50% estão chegando aos 80%”, afirma Jorge. Na loja onde atua, os descontos, que eram de 5% a 10%, estão entre 15% e 20%. “É um meio de tentar aumentar as vendas nesse momento, e tem dado resultado. Pode olhar aqui ao redor, todos estão com alguma coisa”, aponta. Outra saída encontrada foi ainda a tecnologia. Para as empresas que puderam se utilizar dos atendimentos online e criar um sistema de entregas, aliados aos descontos, a recuperação após os meses de fechamento aparece com muito mais resultado. Segundo a Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomercio), o comércio online no Brasil teve um aumento de 47% em 2020, e movimentou R$ 1,3 bilhão. “Nós não realizávamos. Passamos a fazer por causa da pandemia, e, agora mesmo, agendei uma entrega para o Farol. Além do Drive Thru”, revela Patrícia da Silva, vendedora há oito anos numa loja de vestuário, no Maceió Shopping. “As vendas só voltaram a subir do mês passado para cá. Sem os clientes, as comissões não passamos de um salário mínimo durante todo o ano de 2020. Agora já deu para sentir uma melhora”, explica. No estabelecimento franquiado, a promoção sazonal para queima do estoque, tradicional no mês de julho, foi alongada, e o avanço do percentual de desconto também foi acelerado. “Geralmente iniciávamos no começo de julho, com 20% a 30%. Esse ano começamos já desde junho, e no início desse mês já estávamos em 40% a 60%. Foram as campanhas online e o Delivery que nos sustentaram nesse período”, conta Patrícia. Em outra rede de vestuário do shopping, Juliana Tenório, que atua há 26 anos na empresa, salientou ainda que, após o retorno presencial, uma série de incentivos foram feitos para retomar as vendas. “Tudo por R$89,90 e peças exclusivas da vitrine, são exemplos. Foram criadas estratégias, além do calendário de promoções que já tínhamos, para tentar atrair novamente os clientes”, conta. Mesmo assim, a melhora ainda é pequena e o setor espera uma progressão maior da imunização e liberdade de compra dos clientes para se recuperar dos prejuízos. “A gente sente a queda das vendas no salário e ainda não estamos operando na capacidade máxima. As pessoas ainda estão com medo de sair”, conclui Juliana.
* Sob supervisão da editoria de Economia