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POLUIÇÃO E ASSOREAMENTO DAS LAGOAS PREJUDICAM PESCADORES E MARISQUEIROS

IMA recomenda dragagem dos canais da foz, mas governo do Estado não tem projeto em andamento

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Maceió, 05 de dezembro de 2017
A volta do Sururu que está previsto para 90 dias, segundo o pescador e catador do marisco, na Lagoa Mundaú.
Foto: ©Ailton Cruz
Maceió, 05 de dezembro de 2017 A volta do Sururu que está previsto para 90 dias, segundo o pescador e catador do marisco, na Lagoa Mundaú. Foto: ©Ailton Cruz -

As chuvas que caem há três meses nas cabeceiras dos rios Mundaú e Paraíba arrastam toneladas de lixos e esgoto das cidades ribeirinhas para um dos maiores complexos lacustres do Nordeste: o Mundaú-Manguaba. O nível de oxigenação na água está baixo. Para piorar, os canais da “boca”[foz] da barra, entre Marechal Deodoro e Maceió, estão assoreados. Sem a salinização natural, há risco de desastre ambiental, admitem os técnicos do Instituto Estadual do Meio Ambiente de Alagoas (IMA). Mesmo assim, o governo de Alagoas não tem projeto de despoluição e dragagem. A redução de peixes, crustáceos, mariscos e do Sururu é sentida por mais de 15 mil pescadores, marisqueiras, comerciantes e famílias de cinco municípios.

Os prefeitos das cidades banhadas pelas lagoas querem desengavetar o projeto de desassoreamento elaborado pelo governo federal endereçado a Alagoas. A ideia deles, diante da inércia do Executivo estadual, é criar um mutirão para levantar R $50 milhões para projetos de dragagem e despoluição que prometem salvar as lagoas do assoreamento.

Os técnicos do IMA reconhecem a gravidade da situação. Apontam como solução o desassoreamento. Orientam os prefeitos que os projetos devem ser encaminhados ao instituto, que, por sua vez, os levará ao Conselho Estadual de Proteção Ambiental-Cepram/Al, a fim de avaliar os impactos ambientais.

Para desespero dos pescadores, marisqueiros, comerciantes e famílias ribeirinhas que dependem da produtividade das lagoas, a curto prazo não há solução para os problemas ambientais que ameaçam as lagoas. A dragagem, despoluição e desassoreamento do complexo são medidas de longo e médio prazos.

Os prefeitos do Pilar, Renato Filho (PSC), de Marechal Deodoro, Cláudio Filho Cacau (PSD), e o de Maceió, JHC (PSB), atuam com medidas paliativas de recolhimento de lixo e fiscalização. Porém, já pensam em criar um trabalho integrado e de mutirão para agir com projetos técnicos de recuperação ambiental. A última vez que as lagoas Mundaú e Manguaba tiveram projeto de desassoreamento ocorreu entre 1987 e 89, período do governo Fernando Collor (Pros). As últimas administrações municipais, dentre elas a de Rui Palmeira [em Maceió] e estadual (Renan Filho), prometeram retomar os projetos de desassoreamento e recuperação de matas ciliares. Mas, até agora, não desenvolveram ações efetivas.

Em 2013, o projeto de desassoreamento entrou na pauta da gestão do prefeito Rui Palmeira, por causa da liberação de R$ 15 milhões assegurada pelo senador Fernando Collor, mas não avançou.

Os pescadores e marisqueiros reclamam que o desassoreamento precisa sair do papel. “No período eleitoral, prometem despoluir as lagoas e dragar a boca da barra. A situação permanece a mesma. Cada vez tem menos pescado e o sururu está desaparecendo. Enquanto a poluição e o lixo aumentam”, lamentaram os pescadores José Inácio dos Santos e Roberto Merval, moradores do Vergel do Lago, em Maceió. Eles hoje sobrevivem de bicos como pedreiros, porque a pesca está fraca.

Leia mais na página A14.

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