Cidades
Moradores contestam indeniza��es
A reação de alguns moradores, que não sabem se fazem o negócio ou brigam na Justiça por uma indenização de maior valor, é o maior obstáculo que o governo do Estado enfrenta para desapropriar imóveis nas ruas Melo Moraes e Cincinato Pinto, no Centro. Em outubro do ano passado um decreto transformou aqueles imóveis em área de interesse do governo, que pretende construir um Centro Administrativo próximo à sua sede, o Palácio Floriano Peixoto. Logo depois de publicado o decreto os moradores e proprietários foram informados de que os imóveis serão desapropriados. O questionamento deles é quanto ao valor da indenização definida pelo governo, 40% abaixo do que consideram o valor real de seus imóveis. ?São casas centenárias que não tiveram a preservação necessária, o que eles estão achando que tem valor é a localização. Mas o valor foi justo, tanto que 80% dos proprietários fizeram acordo de venda com o governo?, disse o engenheiro Aloísio Guimarães, da empresa estatal Serviços de Engenharia de Alagoas (Serveal). Ele negou que haja qualquer tipo de coerção ou pressão do governo para que os moradores acelerem a desocupação das casas. Na verdade, acrescenta Aloísio Guimarães, há um entendimento de que os imóveis já pertenceriam ao Estado. Mas os moradores discordam, alegando que já havia residências na área quando o Palácio Floriano Peixoto foi construído, no início do século passado. Outro argumento refutado pelo representante do governo é o de que aquela parte do Centro seria área residencial. ?Na verdade, além de uma relojoaria e um restaurante, no trecho de maior questionamento o que existe são casas de prostituição que só funcionam à noite?, afirma o engenheiro. Ele disse ainda que a desapropriação daqueles imóveis está prevista no projeto de Revitalização do Centro. Os moradores alegam que a pressão é o curto prazo que lhes foi dado para decidir se aceitam o valor da indenização. ?Não concordo, acho que está abaixo do real, mas é pegar ou perder?, diz um dos proprietários. O pequeno comerciante José Pereira de Aguiar discorda do valor e comunicou ao governo que não aceita os R$ 27 mil oferecidos por sua casa. ?Comuniquei oficialmente, mas até agora não me responderam??, disse ele. (B.L.)