Cidades
Entorno da Sinimbu come�a a perder identidade
Qualquer observador mais atento enxerga com facilidade a convivência entre o passado e o presente em áreas do centro de Maceió. Um bom exemplo é a Praça Visconde de Sinimbu e seu entorno, onde está localizada, por exemplo, a casa do escritor Jorge de Lima. O imóvel é, provavelmente, uma construção do início do século XX, que conviveu harmonicamente durante muitos anos com o prédio onde hoje funciona o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), construído na década de 60, e com o Espaço Cultural (antiga Reitoria da Ufal) e a Residência Universitária, construções datadas de 1964. O prédio do TRE destoa, na visão dos especialistas, do padrão de construção naquela área. Se alguém se colocar na segunda parte da Praça Sinimbu, mais próximo da Orla, vai notar que o prédio foge do que tecnicamente se chama gabarito padronizado, ou seja, a altura padrão das construções. Aliás, lembra a arquiteta Adriana Guimarães Duarte, a Praça Sinimbu sofreu uma intervenção na década de 60, quando foi dividida na gestão do então prefeito Sandoval Caju para permitir a abertura de uma rua. A parte mais próxima da antiga Reitoria continuou a ser chamada Sinimbu, enquanto o outro trecho, onde se localizava a fonte do Mijãozinho, foi batizada de Praça Jorge de Lima. Ainda naquela área está o Museu Théo Brandão, cujo muro já começa a ser pichado por vândalos. ?A direção do museu tem uma verba assegurada para sua preservação, que pode ser feita de acordo com as especificações técnicas?, afirmou Adriana. Segundo ela, já existe um projeto para recuperação da casa de Jorge de Lima, mas sua execução depende de verbas. No trabalho que será desenvolvido não será possível recuperar o imóvel em seu contexto original, pois muitas peças, como portas e janelas, foram roubadas. ?Até porque não é possível voltar ao que era antes, ou seja, não se aceita o que chamamos falso histórico. Em qualquer trabalho de restauração tem que ficar bastante legível o que é novo e o que é antigo?, explica a arquiteta. Para ela, é preciso que o poder público faça cumprir as leis que estabelecem normas para o crescimento urbano, para evitar danos ao patrimônio histórico que ainda resiste ao abandono. Um exemplo é a cidade de Marechal Deodoro, onde o patrimônio religioso (suas igrejas e conventos) está se deteriorando diante da inércia dos dirigentes municipais e estaduais, e o chamado sítio histórico (casas e ruas) está sendo modificado em sua parte física. Pelo que está ocorrendo hoje, e se não forem adotadas providências, em alguns anos não se verá mais as casas que revelam o passado de Marechal Deodoro, a primeira capital do Estado. ?A descaracterização é violenta. Estão mudando as fachadas com a construção de pavimento superior e garagens?, reclama Adriana Guimarães.