Cidades
ALAGOANOS MORTOS
Gastone Lúcia Beltrão nasceu em Coruripe, em 12 de janeiro de 1950. Tinha temperamento calmo e doce. Em 68 fez vestibular de Economia na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Em 69 viajou para a Europa e Cuba, onde recebeu treinamento militar de guerrilha. Esteve no Chile, de onde voltou na clandestinidade ao Brasil. Militava na Ação Libertadora Nacional (ALN). Em de janeiro de 1972, cinco anos antes da Anistia, em uma emboscada preparada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, Lúcia foi sumariamente fuzilada, ao reagir à voz de prisão, no centro de São Paulo. Tinha 22 anos. É irmã do vereador Tomaz Beltrão (PT). Manoel Fiel Filho nasceu em Quebrangulo, em sete de janeiro de 1927. Seu assassinato político foi noticiado em todo mundo, através da Anisttia Internacional. Fiel Filho era operário metalúrgico em São Paulo, quando foi preso por agentes militares, acusado de pertencer ao PCB. De acordo com o exército, ele foi morto nas mesmas circunstâncias que a do jornalista Vladimir Herzog, em sua cela, enforcado com suas próprias meias. A versão até hoje é contraditória. Odijas Carvalho de Souza nasceu em Atalaia, em 21 de outubro de 1945. Estudante de agronomia da UFPE, militou no Partido Comunista Revolucionário (PCBR). Em janeiro de 71, ele e a estudante Lílian Guedes foram presos na Praia de Maria Farinha, em Paulista (PE). Levados ao Dops e torturados barbaramente, Odijas não escapou. Depois da sessão de tortura foi recolhido ao Hospital Militar do Recife, com retenção de urina, vomitando sangue, ossos fraturados e ruptura de rins, baço e fígado. Morreu em fevereiro, aos 25 anos. O atestado de óbito falava em embolia. Foi enterrado com o nome de Osias, o que dificultou a identificação do corpo. José Dalmo Guimarães Lins nasceu em Maceió, em março de 1933. Estudou no Colégio Marista e entrou para o PCB ainda adolescente. Entre 62 e 63 esteve em Cuba, na União Soviética, onde cursou Ciências Políticas. De volta a Maceió integrou-se à Executiva do PCB. Ficou algum tempo em Alagoas, ode cursou Direito, mas foi expulso, acusado de subversão. Em 67, seu apartamento foi invadido pela polícia e ele foi levado ao Doi-Codi. Dalmo foi obrigado a assistir às torturas praticadas contra sua mulher. Depois desse episódio, não conseguiu se recuperar do trauma. No dia 11 de fevereiro de 1971 Dalmo pôs fim a sua agonia, jogando-se do sexto andar do prédio onde morava, no Leblon. Tinha 37 anos.