Cidades
Contra-revolu��o militar come�aria em Alagoas
VALMIR CALHEIROS O professor Lincoln Cavalcante participou ativamente do movimento de 1964 que, no seu entendimento, ?não foi um golpe militar, mas uma contra-revolução, porque já havia uma revolução em marcha. Essa contra-revolução teria sido iniciada em Alagoas. E revolucionários, para mim, eram o presidente Jango, o seu ministério, com o apoio ostensivo do ministro da Guerra, general Jair, e do general Assis Brasil, chefe da Casa Militar, seus aliados, ao lado de outras pessoas, nos meios sindicais, e dos sargentos, cabos e marinheiros rebelados, em suas associações?. Nessa época, ele estava radicado no Rio de Janeiro, onde trabalhava como um dos principais assessores da Federação Nacional da Indústria. ?Eram os tempos da Guerra Fria, do Muro de Berlim. Da expansão do socialismo soviético. E aqui aconteciam manifestações populares pela pregação das reformas de base e uma república sindicalista, a revolta dos sargentos, cabos e marinheiros e outros acontecimentos, um grevismo constante?. Ele teve formação em cursos na Escola Superior de Guerra em 1962 e 1963. Lá, sob a dicotomia dos estudos de segurança e desenvolvimento, a preocupação dominante era o risco de uma guerra revolucionária, que se entendia já em andamento em nossas plagas. Agora, decorridos 40 anos, ele confessa que não se arrepende e não se envergonha de ter aderido, de pronto, desde 1962, a uma causa que entendia como uma contra-revolução. ?Nas circunstâncias... faria tudo novamente. Sou um sem-vergonha de 64! E os sem-vergonha de 64 quem são? Esses são os que se tornaram vintenários ocupantes do poder, beneficiários ou argentários, o que absolutamente não era o propósito do presidente Castelo Branco. São os que renegam sua participação no ?movimento? e, depois, usufruem de altos cargos públicos, eletivos ou não, sob as vestes de imaculados democratas?. Ainda segundo Lincoln, que já registrou estas afirmações em seu livro sobre sua vida, os sem-vergonha de 64 são os que praticaram ou consentiram torturas. Os que, sem razão, cassaram mandatos ou demitiram servidores, usando ou abusando de um instrumento de contra-revolução, explicável/justificável apenas em casos excepcionais, temporariamente, para atos de improbidade, terrorismo ou subversão armada, sem legítima defesa da ordem pública. Mas nunca a violência, nem a tortura. ?São, enfim, os militares ou civis que transformaram aquela ação contra-revolucionária num duradouro regime contra as instituições democráticas?, finaliza.