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Ve�culos roubados podem ficar com o Estado

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Um ferro-velho ou cemitério de veículos. A primeira vista é o que parece o pátio da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos da Capital. São cerca de 200 automóveis, das mais variadas marcas e modelos, inclusive importados e seminovos, num local que pode ser apontado como um dos mais inadequados possíveis: à beira-mar, levando maresia dia e noite, sol e chuva e em campo aberto. Mas não é apenas o rigor do tempo que transforma os veículos apreendidos em sucatas; há a ação do homem, que não só danifica com gestos de vandalismo, como também furta tudo, inclusive motores completos. O delegado Jobson Cabral de Santana admite que não há vigilância, principalmente durante a noite, pois os poucos policiais que se encontram na especializada já trabalham demais no combate ao crescente roubo e furto de veículos, em Maceió. ?É um local vulnerável, onde pessoas podem furtar sem que sejam percebidas pelos policiais de plantão?. Ele lembra que o delegado Osvanilton Adelino de Oliveira está sendo processado, porque alguns veículos apreendidos, em Cacimbinhas, à época das investigações da gangue fardada em 1997, estavam emprestáveis quando foram requisitados pela Justiça, cerca de três anos depois. Dois caminhões apreendidos no Sertão do Estado, em 1996, são exemplos da destruição imposta pelas condições do local. Quando chegaram ao pátio da DRFV estavam em perfeito estado de funcionamento, chegaram ?rodando?. Hoje, só existem os chassis dos dois veículos. Já não há cabine, motor ou carroceria. Tudo desapareceu, boa parte foi corroída pela ferrugem. Ele alega que não quer receber uma culpa que não lhe cabe. Por isso decidiu apresentar proposta à cúpula da Polícia Civil, apresentando soluções para o problema. A principal é que seja criada uma lei estadual objetivando incorporar ao patrimônio os veículos furtados e roubados que se encontrarem apreendidos na especializada e que não forem resgatados no período de 15 meses. A recuperação do veículo será comunicada ao proprietário e à seguradora e se não houver interesse do resgate, permanecerá por um ano e três meses num depósito (fechado), uma espécie de galpão, guardado por funcionários da Secretaria de Defesa Social ou da Polícia Civil, para que se garanta que o patrimônio não será dilapidado, tenha peças e acessórios roubados, como hoje acontece. Se fosse adotada no momento, segundo o delegado, a iniciativa salvaria de virar sucata cerca de 48 veículo à disposição da Justiça, porque ninguém reclamou sua liberação. Veículos que poderiam ser recuperados com poucos recursos e usados no trabalho policial, por exemplo. ?Temos também vários veículos aguardando carta laudo para identificar procedência e, posteriormente, a identificação do proprietário que também está em situação de uso?, revelou o delegado. Advertiu o delegado, ?a urgência urgentíssima da preservação do patrimônio alheio com a imediata transferência dos veículos apreendidos e aqui acautelados para um local de maior segurança e menos depreciatividade?. Nos últimos três meses, 60 veículos foram roubados, ou seja, tomados em assalto, e outros 64 furtados ou ?puxados?, em Maceió, um total de 124 automóveis. Segundo o setor de cartório da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos da Capital, 50 foram recuperados e foram devolvidos aos proprietários ou estão à disposição da Justiça. Os números são consideráveis, mas não assustam, pois o trabalho desenvolvido pela Polícia Civil, em igual período, identificou e prendeu mais de vinte integrantes de cinco quadrilhas, uma delas com ramificação em Pernambuco e Sergipe. Ele lamentou, no entanto, que apenas quatro permaneçam na cadeia, os demais foram colocados em liberdade por ordem judicial. No documento encaminhado à cúpula da Polícia Civil, o delegado Jobson Santana defendeu o retorno de blitze e operações policiais semanais com a integração das polícias Civil e Militar como forma de inibir a ação dos bandidos. ?Pois a experiência tem nos mostrado que onde há ação policial existe a intimidação dos criminosos?, completou Jobson Santana. Ele defende também que a Polícia Civil precisa ?formar e especializar pessoal, capacitando-os para a linha de frente, ou seja, colocando examinadores nas delegacias regionais e quando requisitados respaldarão as distritais pertinentes a região; bem como conscientizar o alto escalão da Secretaria de Defesa Social sobre a necessidade de disponibilizar recursos para aquisição de equipamentos tecnológicos para uma melhor investigação policial?.

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