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QUASE 6 MIL FAMÍLIAS PERDERAM PARENTES PARA A COVID EM AL

Além da dor da perda, ficou a angústia e a frustração de não poder se despedir adequadamente dos entes queridos

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Imagem ilustrativa da imagem QUASE 6 MIL FAMÍLIAS PERDERAM PARENTES PARA A COVID EM AL
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Em Alagoas, os números que crescem a cada estatística revelam o resultado de uma pandemia devastadora, mas não conseguem expressar a dor de quem perdeu um ente querido para um vírus fatal. O Boletim Epidemiológico do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), dessa sexta-feira (6), mostra que o número de óbitos por Covid-19 no Estado, chega a 5.868 desde o primeiro registrado em 31 de março do ano passado. O que esses números divulgados diariamente não mostram, porém, é a dor deixada por quem se foi devido a uma pandemia devastadora. Com as mortes muitas vezes questionadas, as famílias das vítimas relatam a dor da perda repentina, sem nenhum despedida, e o luto difícil de ser superado a cada novo noticiário. Esses relatos mostram as faces de uma pandemia e a dor de quem não pode abraçar alguém na hora da perda por causa do isolamento social e o risco também de ser infectado. Laura Souza perdeu seu tio Jonadab Oliveira, de 57 anos, no auge na pandemia em junho de 2020. “Ao saber que o tio Jonas, como carinhosamente eu o chamava, foi diagnosticado com Covid, eu já fiquei preocupada, todavia, após 15 dias internado, ele foi liberado e voltou para casa, mas, poucos dias depois de receber alta, faleceu”, relata “A minha reação foi de tristeza e espanto, pois como ele tinha recebido alta pensei que ele estava curado”. Mesmo após a descoberta da morte do tio, Laura ainda fala como se sentiu com a perda de mais familiares para a Covid-19. “Fiquei com muito medo de perder mais alguém, pois o meu tio foi a segunda pessoa que perdemos, todavia, infelizmente depois dele, ainda perdi mais dois primos para essa doença fatal”, diz ela. “É muito doloroso assistir um jornal ou ler uma matéria, e vê que os seus familiares fazem parte do número de mortos que se atualizam diariamente”. Ela ainda dá um conselho para que as pessoas se cuidem, pois a pandemia que ainda não acabou. “O conselho que eu dou é use máscara, não aglomere e tome a vacina, pois, a dor de uma perda é muito forte, mas a da culpa de não ter tido cautela ou infectado as pessoas que você ama é maior.”

TRISTEZA E REVOLTA

A dor por perder um familiar e sentimento de revolta também acompanha Jaqueline Venâncio, que perdeu sua tia Odinete Oliveira, em maio de 2020, aos 84 anos, para o vírus. “Ao descobrir que minha tia havia falecido devido à Covid, minha reação foi de tristeza e revolta, pois, além da dor perda da pessoa querida, veio a revolta devido as vacinas não terem chegado antes, pois poderiam ter salvado vidas”, diz Jaqueline. Ela alerta as pessoas sobre os cuidados a serem tomados em uma pandemia que para muitos devido as flexibilizações pensam em ter acabado, mas se não houver as precauções, a situação pode voltar a ser como antes. “Vacine-se, a vacina é a nossa esperança. Cuide-se, proteja você e quem você ama. Você tem o privilégio quem muitos brasileiros não tiveram”.

Mesmo em meio a dor, O processo de luto e a despedida por parte dos familiares também tiveram que ser modificados em meio à pandemia da Covid-19. De acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, “os velórios e funerais de pacientes confirmados ou suspeitos não são recomendados”. Além disso, a urna funerária deve ficar fechada durante toda a cerimônia.

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FRUSTRAÇÃO E ANGÚSTIA

Esse processo de não poder ver o corpo do ente querido e se despedir adequadamente impacta no processo do luto, deixando danos irreversíveis para quem sofreu com essa perda e com o sentimento de revolta por não poder ter feito nada a respeito para salvar quem tanto ama. “Lidar com a dor, frustração, angústia, a perda e o medo é a maior dificuldade dos familiares”, diz a psicóloga Paula Melo do sistema HapVida, que, durante a pandemia, intensificou o atendimento no consultório a familiares de vítimas da Covid. “Muitos se colocam na posição de culpados, pensam que deveria ter cobrado mais proteção ou ter tido mais cuidado do ente querido. Aceitar a perda/morte “repentina” de alguém que até então, era saudável. Assim, como lidar com o medo de ser o próximo ou de ser outra pessoa tão querida quanto são situações que mais chegam ao consultório”. A psicóloga diz ainda como é possível enfrentar esse período de dor para que os danos ainda não sejam maiores: “Não existe um padrão de orientação e acolhimento, nesse caso, vale a atenção e apoio. Muito enlutados tem dor física e emocional, cada um vivencia à sua maneira. É importante que essa pessoa não fique só, que procure ajuda de um psicólogo, para que assim, trabalhe sua dor, culpa, negação e é muito importante nesse processo que com a ajuda de pessoas próximas e de um profissional de psicologia possa lidar melhor com a dor, saudades, aceitação e o medo”. A dor da perda por um familiar é inestimável, ainda mais quando o direito de dar adeus é interrompido devido ao risco de contaminação. Nesse processo de consolo e aceitação, acreditar que dias melhores virão e buscar forças para seguir é preciso no enfrentamento de uma pandemia mundial. Para quem perdeu um ente querido, a esperança de imunização através das vacinas, dobrar os cuidados e conscientização por parte das outras pessoas, é o que resta. Remexer memórias do passado, de momentos felizes vividos juntos e guardar as boas lembranças é o melhor a se fazer no processo de diminuição de dor, porque o vazio da perda sempre estará lá. Por mais que diminua com o tempo, ele será preenchido pela esperança de um novo tempo através da imunização total e assim diminuição e até encerramento de casos de Covid.

* Sob supervisão da editoria de Cidades.

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