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PANDEMIA TAMBÉM IMPACTOU RELAÇÃO ENTRE PAIS E FILHOS

Com suspensão das aulas e o trabalho remoto, convívio em família se intensificou de diversas formas

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Imagem ilustrativa da imagem PANDEMIA TAMBÉM IMPACTOU RELAÇÃO ENTRE PAIS E FILHOS
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A pandemia da Covid-19 causou uma série de alterações na rotina em família. Em busca de se adaptar ao “novo normal”, com a suspensão de aulas e a mudança do ambiente do escritório para trabalho remoto, o convívio entre pais e filhos se intensificou de diversas formas.

Para entender essas mudanças nas relações durante este período, a Gazeta conversou com figuras paternas, em celebração ao Dia dos Pais, comemorado neste domingo (8).

Lucas Amorim, de 30 anos, é pai de João e Nicolas, de 9 e 7 anos, respectivamente. Ele contou que a pandemia fortaleceu seu vínculo com os filhos, o deixando mais protetor. “Eu, agora, vejo a vida de outra forma. Quero eles [filhos] sempre comigo e, também, estar sempre com eles. Todos os cuidados foram redobrados”, explicou. Lucas não esconde a felicidade de ser pai. “Ser pai significa, para mim, ter um propósito de vida. No meu caso, eu tenho dois propósitos que me trazem a maior inspiração para enfrentar as lutas diárias”. Ele também contou que, neste período de pandemia, pôde ficar mais tempo em casa, aproveitando, assim, a companhia de seus filhos. Os pequenos, por causa do ensino remoto, também estão com mais tempo de ficar em casa e curtir a figura paterna. “Todos os domingos gostamos de ir à piscina. Meus filhos gostam quando ensino eles a nadar. Passear e andar de bicicleta também são programações que gostamos de fazer juntos. Além disso, gosto de contar e fazer cócegas neles. É pura diversão”, disse sem esconder a felicidade no rosto. Elane Amorim é esposa de Lucas e é só elogios ao marido. “Falar do Lucas é agradecer a Deus, pois ele me presenteou com um homem maravilhoso. Lucas é um bom filho, um bom esposo e, também, um bom pai. Ele é trabalhador e dedicado à família e aos filhos”.

DISTÂNCIA QUE FORTALECE

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Alexandre Ribeiro, de 30 anos, é pai do pequeno Bernardo, de 8 anos. Alexandre é marinheiro e, por isso, passa um período fora de casa, o que só aumenta a saudade de seu filho. No entanto, garante que é a distância que fortalece seu vínculo com o pequeno Bernardo. A pandemia também o deixou protetor e despertou, nele, um lado sensível de ver a vida e aproveitá-la em família. “Ser pai pra mim é uma bênção e uma responsabilidade grande, principalmente quando se trata de você ser exemplo, melhor amigo e ser aquela pessoa onde fará de tudo para proporcionar só coisas boas para o seu filho. Costumo dizer que, por conta do meu trabalho, onde eu passo muito tempo fora, a saudade e a distância é grande, porém, toda dedicação e todo o sofrimento é por conta do meu filho. Ser pai sempre foi o meu sonho e digo para a minha esposa que quero ter bastante filhos, mas, por causa da pandemia, estamos adiando um pouco esse sonho. Já com relação ao Bernardo, não foi uma gravidez planejada, porém, se Deus permitiu que ele viesse ao mundo, é porque ele viu capacidade em mim de ser o pai dele”, falou. Bernardo é filho do primeiro relacionamento de Alexandre. O pai, que não esconde ser babão, falou como dribla a saudade quando está no trabalho.

“Por conta do meu trabalho, eu passo dois meses fora e nem sempre tenho sinal de telefone ou internet. Tudo isso dificulta muito a minha relação com Bernardo, mas, sempre que posso, entro em contato ou faço videochamada para matar um pouco da saudade. Mas, sem dúvidas, a melhor parte é quando eu volto pra casa, após a minha jornada de trabalho. Não sei descrever como é bom ir buscá-lo para passar alguns dias comigo, de poder dar carinho para o meu pequeno”.

Alexandre também falou como vem lidando com a pandemia. “Independente da pandemia, eu sempre tive um zelo muito grande pelo meu filho. Porém, nesse período, eu me tornei uma pessoa ainda mais cuidadosa, por isso sempre estou de olho nele quando saímos ou, até mesmo, em casa”.

Alexandre contou que vai passar o Dia dos Pais longe do filho, mas se sente realizado por ser pai do pequeno, que alegra a sua vida. “Neste dia dos pais, mais uma vez, irei passar longe dele, mas, desde já, quero agradecer a ele por ser esse filho maravilhoso e que ele nunca deixe de ter a essência que exala. Bernardo é uma criança educada, inteligente e que por onde passa encanta a todos’, falou Alexandre com um sorriso no rosto.

’LICENÇA PATERNIDADE PASSOU PARA 10 MESES’

O jornalista Madysson Weslley, de 29 anos, é pai de Mateus José, de 1 ano e 4 meses. O pequeno nasceu na pandemia e, recentemente, Madysson descobriu que terá um segundo filho, Benício. Assim como as outras figuras paternas, o jovem pai disse que é protetor, e que a pandemia da Covid-19 o deixou ainda mais. No início da pandemia, em 2020, Madysson passou a trabalhar de casa. Ao todo, foram 10 meses de home office. Esse período, segundo Madysson, foi essencial para ficar ainda mais conectado ao filho. “Meu primeiro filho nasceu na pandemia, em 18 de março de 2020, dia em que o governo lançou o primeiro decreto de isolamento social em Alagoas. De cara, eu e minha esposa fomos pegos de surpresa, pois, ao chegarmos na maternidade, fomos informados de que não poderíamos receber nenhuma visita dentro da maternidade. Foi um choque, pois, havíamos planejado tudo diferente. Fizemos lembrancinhas, avisamos aos familiares e aos amigos que o nosso filho estava chegando e, de repente, tivemos de mudar a rota desse percurso. Mas, claro, entendendo tudo o que estava sendo pedido e orientado na maternidade, pois seria para o nosso bem”, falou. “Como ele nasceu bem no início da pandemia, a gente ficou atento a tudo o que estava sendo noticiado e procurando seguir a risca todas as recomendações dos órgãos de saúde, tanto local como internacional, a exemplo da OMS [Organização Mundial da Saúde]. Para ter uma ideia, nós ficamos, aproximadamente, quatro meses sem receber ninguém em nossa casa. Fiquei trabalhando de casa e minha esposa estava afastada do trabalho por causa da gestação. Nossa preocupação era muito grande”, completou. Madysson disse que a preocupação não foi ainda maior porque pôde ficar com o filho enquanto trabalhava de forma remota. “Costumo dizer que, se de um lado a pandemia foi devastadora para muitas pessoas, para a minha família teve lado positivo, mesmo diante de tantos males. No meu caso, a minha licença paternidade passou de 5 dias para 10 meses. Digo isso porque trabalhei de casa por causa das restrições impostas pelo governo. Durante esse período, eu estava presente dentro da minha casa. Por mais que eu estivesse trabalhando, eu estava acompanhando, de perto, o meu filho crescendo. Eu pude participar dos banhos, das trocas de fraldas. E eu sempre fiz muita questão de participar disso tudo”. Atualmente, a rotina de Madysson mudou. Ele voltou a trabalhar de maneira presencial, mas, em casa, se esforça para se manter conectado ao filho. Para isso, planeja algumas programações de lazer com o pequeno. “Voltei a trabalhar e o nosso momento junto diminuiu, mas, aos finais de semana, é dedicação total. A gente fica muito próximo. Pego todas as funções da mãe, fazendo, claro, o meu papel de pai. Gosto da missão de ser pai. O vínculo ficou muito fortalecido por ter ficado com ele desde o nascimento do Mateus”. Há dois meses, Madysson descobriu que sua esposa está à espera do segundo filho do casal. Ele se diz ansioso para o nascimento do pequeno.

“Há dois meses eu e minha esposa descobrimos uma outra gravidez. Benício está vindo e estamos felizes. A descoberta deu uma sensação de medo, pois, por mais que eu não seja pai de primeira viagem, tenho uma criança pequena e, em breve, chegará mais uma outra. Só que o susto logo passou,e eu e minha esposa entendemos que tudo tem um propósito. Mateus chegou no início da pandemia e o Benício no final dela”.o. GB

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